Aluna com câncer é espancada em escola de Realengo e caso expõe falhas no combate ao bullying

Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola

Uma aluna de 11 anos foi brutalmente agredida por uma colega na saída da Escola Municipal Rondon, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (20). A menina, que enfrenta um câncer e possui tumores na cabeça que causam deformidades no rosto, foi atingida com socos e chutes diante de outros estudantes.

Vídeos e relatos indicam que a agressão ocorreu na presença de vários alunos, sem intervenção imediata, e com incentivo de parte dos que assistiam. O caso gerou indignação e reacendeu o debate sobre violência e omissão no ambiente escolar.

Histórico de bullying

Segundo a família, a agressão não foi um episódio isolado. A estudante já sofria bullying frequente por causa de sua aparência, agravada pela condição de saúde.

“Chamam ela de feia. Minha filha sofre com isso há muito tempo”, relatou o pai.

Especialistas apontam que crianças com condições de saúde visíveis ou características fora do padrão são frequentemente alvos de violência simbólica e psicológica, que pode evoluir para agressões físicas quando não há intervenção.

Escola e poder público

A Secretaria Municipal de Educação informou que repudia o caso e que adotou medidas imediatas, incluindo apoio psicológico à vítima. A छात्र será transferida de unidade escolar como forma de proteção.

O caso foi registrado e está sob investigação da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), que apura as circunstâncias da agressão e possíveis responsabilidades.

Violência escolar em crescimento

Casos de violência em ambiente escolar têm ganhado visibilidade no Brasil. Estudos recentes indicam aumento de registros de bullying e agressões físicas entre estudantes, especialmente após o período de pandemia, quando houve impacto nas relações sociais e no ambiente escolar.

O bullying, além de causar sofrimento emocional, pode gerar consequências graves, como evasão escolar, depressão, ansiedade e, em casos extremos, violência física — como ocorreu em Realengo.

Falhas na prevenção

O episódio também levanta questionamentos sobre a capacidade das instituições de ensino em identificar e interromper situações de violência recorrente.

A ausência de intervenção no momento da agressão e os relatos de bullying contínuo indicam possíveis falhas na rede de proteção escolar, que deveria atuar de forma preventiva.

Especialistas defendem a implementação de protocolos claros de combate ao bullying, formação de professores e canais seguros de denúncia para estudantes.

Campanha da ComCausa

Diante do caso, a ComCausa – Defesa da Vida reforça sua campanha permanente de enfrentamento ao bullying nas escolas, que atua na conscientização e mobilização social para prevenir a violência entre crianças e adolescentes.

A iniciativa propõe ações educativas, escuta ativa e fortalecimento de redes de proteção, envolvendo escolas, famílias e comunidades. A campanha também incentiva a denúncia de casos de violência e a criação de ambientes escolares seguros e inclusivos.

Para a organização, combater o bullying é uma medida essencial de defesa da vida e dos direitos da infância.

Direito à proteção e à dignidade

O caso da estudante em Realengo evidencia a urgência de garantir que o ambiente escolar seja um espaço de acolhimento, respeito e proteção — especialmente para crianças em situação de vulnerabilidade.

Mais do que punir casos extremos, especialistas e organizações defendem a construção de uma cultura de cuidado, capaz de interromper ciclos de violência antes que eles se agravem.

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