Na tarde desta quarta-feira, 19 de março, a Praça da Matriz, em São João de Meriti, recebeu o ato dramatizado “Silêncio que Mata”, uma ação de forte impacto simbólico e social promovida pelo Grupo de Mulheres Yepondá, em parceria com a RENAFRO (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde).
Realizado no mês em que se destaca o Dia Internacional da Mulher, o ato chamou a atenção de quem passava pela praça ao transformar o espaço público em lugar de denúncia, reflexão e mobilização coletiva contra o feminicídio e a violência de gênero. Com arte, sensibilidade e firmeza política, a intervenção reforçou uma mensagem urgente: o silêncio diante da violência também mata.
A cena apresentada impactou o público e cumpriu seu papel de provocar escuta, acolhimento e consciência. A força do ato foi percebida não apenas na encenação, mas também na resposta das mulheres presentes, que se aproximaram para conversar, relatar experiências e dialogar com as organizadoras.
Para Lúcia Yapondá, a repercussão da atividade confirmou a importância da iniciativa. Segundo ela, a proposta alcançou seu objetivo: “Como a ideia era atingir algumas mulheres, lá foi umas mulheres falar com a gente, contar. Teve uma lá que, enfim, foi bem interessante. E a gente vai fazer outro mais, pode inclusive levar em outros lugares, porque é uma cena forte…”
A fala evidencia a potência da intervenção como instrumento de escuta e mobilização, especialmente em uma região como a Baixada Fluminense, historicamente marcada por desigualdades sociais e pela violência estrutural. O ato mostrou que a arte pública pode ser um caminho importante para romper silêncios e fortalecer redes de apoio às mulheres.
A construção da ação também contou com apoios fundamentais nos bastidores. Um agradecimento especial é dirigido a Dilma do Acarajé, que serviu de base para a preparação do ato, acolhendo e contribuindo para que a atividade pudesse acontecer com a força e a organização necessárias. Gestos como esse reforçam o valor da solidariedade comunitária e do compromisso coletivo com a defesa da vida. Outro nome importante presente na atividade foi Márcio Grafiti, cuja participação fortaleceu ainda mais o encontro e somou presença a esse momento de denúncia e resistência.
Também merece destaque o trabalho de composição visual da cena, incluindo a maquiagem, que ajudou a dar ainda mais expressão e impacto ao ato. Nesse sentido, foi registrado o agradecimento a Iyá Lúcia de Oxum, responsável pela maquiagem, contribuindo para a força estética da intervenção.
A ComCausa – Defesa da Vida participou do ato somando-se a essa mobilização e reafirmando seu compromisso com os direitos humanos, a proteção das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero. A iniciativa integra o esforço coletivo de organizações, lideranças religiosas e movimentos sociais que entendem que enfrentar o feminicídio exige ação conjunta, presença no território e compromisso permanente com a vida.
O ato “Silêncio que Mata” deixa como marca não apenas a denúncia, mas também a certeza de que é preciso seguir ampliando essa discussão em diferentes espaços. A receptividade do público e os diálogos gerados após a apresentação mostram que ações como essa precisam circular, ecoar e alcançar cada vez mais pessoas.
A ComCausa vai produzir um vídeo sobre o ato, ampliando a cobertura desse importante momento e contribuindo para que a mensagem da atividade chegue ainda mais longe.
Com o lema “O silêncio mata. Vamos ouvir e resistir!”, a ação reafirma uma urgência do nosso tempo: romper o silêncio, acolher os sinais de violência e lutar para que não haja nenhuma a menos.
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