Candelária Nunca Mais: 32 anos da chacina são lembrados com ato simbólico no Rio

Chacina Candelária

No próximo dia 23 de julho de 2025, o Centro do Rio de Janeiro será novamente palco de um dos atos mais significativos da luta por memória, justiça e defesa da vida no Brasil. A programação dos 32 anos da Chacina da Candelária reúne entidades de direitos humanos, movimentos sociais, lideranças religiosas e a sociedade civil em uma série de atividades marcadas pela emoção, espiritualidade e clamor por justiça. A data também celebra os 35 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), reforçando a urgência da proteção integral de crianças e adolescentes, especialmente os que vivem em maior vulnerabilidade.

A mobilização terá início às 9h, com a tradicional lavagem das escadarias da Igreja da Candelária. O ato, inspirado em rituais afro-brasileiros, simboliza a purificação da memória e o respeito à vida das vítimas, além de denunciar as violações de direitos ainda presentes na realidade de milhares de jovens brasileiros. Em seguida, às 10h, ocorre uma celebração inter-religiosa, com a participação de representantes de religiões de matriz africana, cristãs, judaicas e espiritualistas. A cerimônia reforça a união das fés em defesa da dignidade da infância e da juventude.

O encerramento da programação acontece ao meio-dia com um abraço coletivo à Igreja da Candelária, local que se tornou símbolo da resistência à violência institucional e ao genocídio da juventude negra. Esse gesto convida todos os presentes a assumirem um compromisso público com a proteção e valorização da vida de crianças e adolescentes.

Uma ferida que ainda sangra

Na madrugada de 23 de julho de 1993, oito jovens — entre 11 e 21 anos — foram executados por policiais militares enquanto dormiam nas proximidades da Igreja da Candelária. As vítimas viviam em situação de rua, criminalizadas por sua pobreza e invisibilizadas pelo poder público. O massacre foi condenado internacionalmente e denunciado por diversas organizações de direitos humanos, mas a justiça brasileira falhou em responsabilizar a maioria dos culpados. Dos poucos condenados, alguns cumpriram penas reduzidas, e nenhuma reparação efetiva foi feita aos familiares e sobreviventes.

Pior ainda: muitos dos jovens que escaparam daquela madrugada foram assassinados nos anos seguintes, evidenciando um padrão contínuo de violência, exclusão e abandono estatal.

“Candelária Nunca Mais” é um chamado coletivo

A mobilização deste ano reforça o lema “Candelária Nunca Mais”, não apenas como um grito de dor, mas como um alerta permanente à sociedade. O evento convoca a todos — organizações, cidadãos, educadores, ativistas, artistas e gestores públicos — a se comprometerem com a construção de políticas públicas que combatam o racismo estrutural, a violência policial e a negligência com a juventude.

A memória da chacina tornou-se símbolo do que ainda precisa mudar no Brasil. Enquanto crianças são abandonadas pelas instituições, perseguidas nas periferias e alvo de ações letais do Estado, o ato na Candelária resiste como espaço de denúncia, acolhimento e transformação.

Além das homenagens, a cerimônia também será momento de formação política, reflexão sobre o ECA e fortalecimento de redes de proteção à infância, mostrando que a luta por justiça está viva e pulsa nas ruas do Rio e de todo o país.

Serviço
32 anos da Chacina da Candelária – Ato por Memória, Justiça e Defesa da Vida
Data: quarta-feira, 23 de julho de 2025
Horário: Das 9h às 12h
Local: Escadarias da Igreja da Candelária – Av. Presidente Vargas, Centro, Rio de Janeiro (próximo à estação Uruguaiana)

Programação:

  • 9h: Lavagem simbólica das escadarias da Igreja da Candelária
  • 10h: Celebração inter-religiosa com representantes de diversas tradições de fé
  • 12h: Abraço coletivo à Igreja da Candelária

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