Chacina da Baixada: atividade em Nova Iguaçu marca a memória das 29 vítimas e reforça a luta por justiça

Chacina da Baixada

No próximo 31 de março de 2026, a Rede de Mães e Familiares da Baixada, o Fórum Grita Baixada e a Rede de Educação Popular da Baixada Fluminense realizam um ato público em memória dos 21 anos da Chacina da Baixada, uma das maiores barbáries da história do Rio de Janeiro. A atividade acontecerá na Praça dos Direitos Humanos, no Centro de Nova Iguaçu, a partir das 17h.

Com o chamado “O luto virou luta”, a mobilização reafirma que a dor das famílias nunca foi silenciada e que a memória das vítimas segue viva na luta popular. O ato também denuncia a violência de Estado e reforça a necessidade de justiça, reparação e garantia de direitos para a população da Baixada Fluminense.

A Chacina da Baixada ocorreu na noite de 31 de março de 2005, quando cinco policiais militares percorreram ruas de Nova Iguaçu e Queimados, pela Rodovia Presidente Dutra e bairros adjacentes, efetuando disparos de forma indiscriminada. A ação, motivada por vingança e insatisfações internas dentro da corporação, deixou 29 mortos — entre homens, mulheres e adolescentes — interrompendo vidas e sonhos de maneira brutal.

Duas décadas depois, a ferida continua aberta. Ainda assim, mães, familiares e organizações da Baixada transformaram o luto em resistência. A data, mais do que um marco de dor, tornou-se também símbolo de denúncia, memória e organização coletiva.

A programação do ato contará com o cine-debate do filme “Nossos Mortos Têm Voz”, produzido pela Quiprocó Filmes e apresentado pela AFGB, Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu e Misereor. Também será realizada uma roda de conversa com a Rede de Mães e Familiares da Baixada, reunindo vozes que há anos mantêm viva a memória das vítimas e a cobrança por justiça.

A convocação destaca que lembrar é também resistir. Em uma região historicamente marcada pela violência e pela ausência de garantias fundamentais, o ato público quer reafirmar que a Baixada Fluminense não esquecerá seus mortos, nem aceitará o apagamento das vítimas da violência estatal.

A atividade contará ainda com a participação de organizações e apoiadores da luta por direitos humanos, entre elas a ComCausa, que se soma ao chamado em defesa da memória, da justiça e da vida.

Segundo os organizadores, a mobilização pretende manter viva a história das vítimas da Chacina da Baixada, denunciar a violência de Estado e reafirmar a necessidade de responsabilização, reparação e garantia do direito à vida nas periferias. Além disso, a iniciativa busca fortalecer a mobilização social contra a violência policial e a impunidade, temas que seguem presentes de forma estruturante nas lutas dos movimentos da Baixada Fluminense.

Os movimentos que organizam a atividade destacam que a convocação é aberta à sociedade civil, especialmente a organizações populares, coletivos culturais, entidades de direitos humanos, lideranças comunitárias, juventudes e moradores da região que desejem contribuir com a construção do ato. Para os organizadores, a Chacina da Baixada permanece como um marco histórico e político da luta por memória, justiça e reparação, além de evidenciar a urgência do enfrentamento à violência policial que segue atingindo, de forma desproporcional, os territórios periféricos.

Ato em memória aos 21 anos da Chacina da Baixada
Data: 31 de março
Horário: a partir das 16h
Programação: caminhada, apresentações artísticas e exibição do documentário Nossos Mortos têm Voz.

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