Na terça-feira, 28 de outubro de 2025, uma sequência de operações policiais nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão deixou como saldo o que organizações, movimentos sociais e veículos de imprensa já classificam como a maior chacina por ação policial registrada no Estado do Rio de Janeiro — com balanços que apontam para mais de uma centena de mortos e centenas de famílias atingidas. A dimensão da violência e a forma como a operação foi conduzida provocaram choque e revolta em comunidades, redes de direitos humanos e instâncias de defesa civil.
Testemunhas e moradores relatam cenas de pânico — corpos trazidos por residentes para praças e unidades de saúde, escolas fechadas, serviços comunitários interrompidos e filas no Instituto Médico-Legal para reconhecimento. Organizações de direitos humanos e defensorias públicas apontam discrepâncias entre os números oficiais e as contagens feitas nas comunidades, além de denunciar remoções informais de corpos e falta de transparência sobre o real alcance das operações.
O protagonismo político dessa ofensiva recai diretamente sobre o governador Cláudio Castro. Em seu governo se acumulam operações com elevado índice de letalidade — e a ação de 28/10 soma-se a episódios anteriores que já figuravam entre os mais letais do estado. Para uma parcela significativa da sociedade civil, trata-se da materialização de uma política de segurança que trata territórios periféricos como zonas de guerra, onde a vida de moradores e moradoras pobres vale menos.
No plano legislativo, tornou-se ainda mais grave o contexto em que, nas últimas semanas, a Assembleia Legislativa discutiu e aprovou dispositivos apelidados pela sociedade como “gratificação faroeste” — um mecanismo que remunera, em bônus, policiais por ações que incluem a “neutralização” de supostos criminosos. Especialistas jurídicos, a Defensoria Pública e entidades de direitos humanos alertaram para o caráter incitador à violência dessa medida, classificando-a como inconstitucional e um incentivo perigoso à letalidade policial.
Às vésperas das eleições, a combinação entre ações de força executadas em campo e decisões legislativas que premiarem violência aponta — para movimentos sociais e familiares das vítimas — um cálculo político que instrumentaliza a segurança pública em benefício de ambições eleitorais. Em vez de políticas sociais, prevenção, investimentos em infraestrutura e serviços, o caminho escolhido tem sido a escalada da repressão.
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Em reação, coletivos, pastorais, associações e redes de defesa dos direitos humanos convocam a população para atos públicos de repúdio, prestação de solidariedade às famílias e exigência de apuração independente dos fatos. A Associação Fórum Grita Baixada e a Rede de Educação Popular convocam a comunidade para o Ato contra a Chacina de Cláudio Castro, nesta sexta-feira (31), às 17h, na Praça dos Direitos Humanos — espaço para memória, denúncia e união em defesa da vida.
A pauta agora é dupla e urgente: responsabilização administrativa, civil e penal dos agentes e autoridades envolvidas; e a revogação ou bloqueio de medidas como a “gratificação faroeste” que, segundo vozes técnicas e jurídicas, podem institucionalizar a impunidade e estimular novos episódios de violência. Organizações de direitos humanos exigem investigação independente, proteção às famílias das vítimas e política de recomposição e cuidado às comunidades atingidas.
Enquanto as respostas institucionais demorarem ou forem insuficientes, moradores e moradoras seguem sob trauma, com direitos básicos suspensos e a sensação de que seu território foi transformado em alvo de uma guerra que não reconhece fronteiras entre civis e combatentes. A exigência — dos movimentos, da sociedade e de quem perde parentes e vizinhos — é clara: basta de chacinas; justiça e políticas que priorizem a vida.
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