Eleições sem Ódio: democracia, informação e respeito devem marcar participação nas urnas

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Campanha integrada da ComCausa Oficial, RedeDH e Juventudes.ComCausa reúne monitoramento, matérias, vídeos, checagem de informações, educação midiática, oficinas e orientações para estimular participação cidadã responsável durante o período eleitoral

As Eleições Gerais de 2026 chegam à reta final para o primeiro turno em um cenário no qual o direito de escolher representantes convive com a circulação cada vez mais rápida de informações pelas redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de vídeo e ferramentas de inteligência artificial.

Diante desse contexto, a ComCausa – Defesa da Vida, por meio da ComCausa Oficial, da RedeDH e do Juventudes.ComCausa, desenvolve a campanha “Eleições sem Ódio: democracia, informação e respeito”.

A iniciativa reúne comunicação, educação midiática, prevenção das violências e promoção dos direitos humanos para contribuir com uma participação eleitoral baseada em informação, liberdade de escolha, respeito às diferenças e responsabilidade na circulação de conteúdos.

O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado neste domingo, 4 de outubro. Nessa etapa serão escolhidos presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. O eventual segundo turno para presidente e governadores será realizado em 25 de outubro, onde for necessário, conforme o calendário oficial das Eleições 2026 do Tribunal Superior Eleitoral.

A campanha não pretende dizer em quem votar nem indicar candidaturas, partidos ou posições políticas. Seu objetivo é contribuir para que cada pessoa possa formar sua própria opinião e exercer o voto de maneira livre, consciente e informada, conhecendo ferramentas para verificar informações, reconhecer manipulações, acessar fontes oficiais e compreender seus direitos durante o processo eleitoral.

Divergência política não precisa se transformar em violência

A democracia pressupõe diferenças. Pessoas podem discordar sobre governos, candidaturas, partidos, propostas, políticas públicas e caminhos para o país.

O debate político pode ser intenso e crítico sem que pessoas com posições diferentes sejam transformadas em inimigas.

O problema surge quando a divergência deixa o campo das ideias e passa a envolver ameaças, perseguições, intimidação, assédio, discriminação, ataques contra grupos sociais ou outras formas de violência.

Em junho de 2026, durante manifestação relacionada ao Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral permanece comprometida com a realização de eleições livres, seguras e inclusivas e alertou para os efeitos do discurso de ódio sobre a convivência democrática.

Isso não significa reduzir o espaço para críticas.

Uma sociedade democrática depende justamente da possibilidade de questionar governos, representantes, instituições, políticas públicas e propostas. O desafio é preservar esse direito sem naturalizar ameaças ou agressões contra pessoas ou grupos.

Informação também faz parte do direito de escolher

Durante uma eleição, uma informação falsa ou descontextualizada pode circular por milhares de celulares em poucos minutos.

Fotografias antigas apresentadas como recentes, vídeos editados, manchetes fora de contexto, montagens, páginas que imitam veículos jornalísticos, áudios sem autoria conhecida e conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial podem dificultar a distinção entre fatos, opiniões, sátiras e manipulações.

Por isso, uma das principais frentes da campanha Eleições sem Ódio será a educação midiática e informacional.

A UNESCO define a alfabetização midiática e informacional como um conjunto de competências que permite acessar, analisar, avaliar e produzir conteúdos de maneira crítica. A organização relaciona essas capacidades ao enfrentamento da desinformação, do discurso de ódio e aos desafios trazidos pelas novas tecnologias, inclusive a inteligência artificial.

Antes de compartilhar uma informação eleitoral, algumas práticas podem ajudar:

  • verificar quem publicou originalmente o conteúdo;
  • conferir a data da publicação;
  • ler além do título ou da imagem compartilhada;
  • procurar a mesma informação em outras fontes confiáveis;
  • consultar a Justiça Eleitoral quando a informação envolver votação, urnas, documentos, horários ou procedimentos eleitorais;
  • verificar se fotos e vídeos realmente correspondem ao fato apresentado;
  • desconfiar de mensagens que exigem compartilhamento imediato;
  • observar conteúdos construídos apenas para provocar medo, revolta ou indignação sem apresentar evidências;
  • diferenciar notícia, opinião, propaganda eleitoral, sátira e conteúdo manipulado;
  • evitar encaminhar materiais cuja origem não possa ser identificada.

Outra ferramenta disponibilizada pelo TSE é a página Fato ou Boato, que integra os esforços da Justiça Eleitoral para esclarecer informações falsas ou enganosas relacionadas ao processo eleitoral.

Inteligência artificial exige atenção especial nas Eleições 2026

A utilização de inteligência artificial acrescentou um novo desafio à circulação de informações durante o período eleitoral.

A Resolução TSE nº 23.755/2026 atualizou as regras de propaganda eleitoral e estabeleceu normas específicas para conteúdos sintéticos produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial.

Quando propaganda eleitoral utiliza conteúdo sintético multimídia produzido por IA ou tecnologia equivalente, deve haver informação explícita, destacada e acessível indicando que houve fabricação ou manipulação tecnológica.

As normas também estabeleceram uma restrição específica para o período próximo à votação: novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatas, candidatos ou pessoas públicas não podem ser publicados, republicados ou impulsionados no período compreendido entre 72 horas antes e 24 horas depois do término da votação, mesmo quando identificados como artificiais.

O TSE disponibilizou ainda uma explicação específica sobre as regras para utilização de inteligência artificial nas Eleições 2026.

Para quem recebe um conteúdo pelas redes sociais, isso reforça a necessidade de observar a origem da publicação antes de considerar um vídeo, áudio ou fotografia como prova de determinado acontecimento.

Imagens aparentemente perfeitas, vozes convincentes ou vídeos com elevada qualidade técnica não são, por si só, garantia de autenticidade.

Juventudes no centro da educação midiática

O Juventudes.ComCausa terá participação específica na campanha por meio da produção de conteúdos, vídeos, atividades educativas e oficinas de educação midiática.

A proposta parte do entendimento de que jovens não devem ser vistos apenas como consumidores de conteúdos digitais. Eles também podem atuar como multiplicadores de informação, direitos e práticas responsáveis de comunicação em seus territórios.

As atividades pretendem abordar questões presentes no cotidiano das redes sociais: como identificar uma fonte, verificar uma fotografia, analisar um vídeo, reconhecer indícios de manipulação, compreender o papel dos algoritmos e diferenciar conteúdo jornalístico, publicidade, propaganda política, opinião, sátira e desinformação.

O trabalho também dialoga com iniciativas do Programa Juventude Solidária, desenvolvido em articulação com a Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República, e com projetos desenvolvidos pelo Juventudes.ComCausa.

Outro objetivo é estimular o diálogo entre gerações.

Grande parte das informações eleitorais circula em grupos familiares, comunitários, religiosos, profissionais e territoriais. Por isso, verificar uma informação antes de encaminhá-la pode se transformar em uma prática compartilhada por jovens, adultos e pessoas idosas.

Monitorar conteúdos públicos para orientar, não para vigiar opiniões

Outra frente da campanha será o acompanhamento de conteúdos publicamente disponíveis relacionados ao processo eleitoral.

O objetivo não é mapear preferências políticas nem determinar quais opiniões podem ou não ser manifestadas.

O acompanhamento estará voltado para conteúdos que possam demandar checagem ou orientação, como informações potencialmente falsas sobre procedimentos eleitorais, golpes, páginas falsas, vídeos ou imagens manipuladas e publicações que apresentem indícios de ameaça ou violação de direitos.

Os casos poderão subsidiar matérias, vídeos e conteúdos educativos da ComCausa Oficial, da RedeDH, do Portal C3 e do Juventudes.ComCausa.

A proposta é diferenciar claramente fato verificável, opinião política, interpretação, propaganda e possível violação de direitos.

Encontrou desinformação eleitoral? Saiba onde comunicar

A Justiça Eleitoral disponibiliza diferentes ferramentas conforme o tipo de ocorrência.

O Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral — SIADE é um canal anônimo destinado à comunicação de conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto que possam afetar a integridade das eleições.

Entre as situações que podem ser encaminhadas estão informações falsas sobre data, horário ou local de votação, mensagens destinadas a impedir ou desestimular o exercício do voto, páginas que utilizem indevidamente a identidade da Justiça Eleitoral e outras formas de desinformação enquadradas nas regras do sistema.

O próprio TSE esclarece que o SIADE não é destinado simplesmente a denúncias de informações falsas contra candidaturas ou partidos políticos.

Para irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral, a ferramenta indicada é o Pardal, aplicativo da Justiça Eleitoral destinado ao recebimento de denúncias sobre possíveis infrações na propaganda eleitoral.

O TSE também mantém um canal específico para denúncias de violência política de gênero.

Por meio desse canal, casos podem ser encaminhados ao Ministério Público Eleitoral. O Código Eleitoral prevê como crime situações de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra candidata ou detentora de mandato quando relacionadas à condição de mulher e destinadas a impedir ou dificultar sua campanha ou atuação política.

Violações de direitos humanos também podem ser comunicadas ao Disque 100, serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania gratuito e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Campanha reúne comunicação, formação e orientação

Ao integrar ComCausa Oficial, RedeDH, Portal C3 e Juventudes.ComCausa, a campanha Eleições sem Ódio: democracia, informação e respeito pretende alcançar diferentes públicos e territórios.

A programação envolve produção de matérias jornalísticas, vídeos, conteúdos educativos, materiais de orientação, oficinas de educação midiática e acompanhamento de temas relacionados à integridade da informação, cidadania, participação social e direitos humanos.

A iniciativa parte de um princípio fundamental: corrigir uma informação falsa não exige concordar politicamente com a pessoa atingida por ela.

Da mesma maneira, defender que alguém possa participar do debate público sem sofrer ameaças ou violência não significa concordar com suas ideias.

A democracia permite justamente que diferentes projetos, opiniões e visões de sociedade disputem apoio público dentro das regras estabelecidas e que cada eleitora e eleitor tenha liberdade para construir sua própria decisão.

Em 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros irão às urnas. Informação de qualidade, responsabilidade antes de compartilhar conteúdos e respeito às diferenças ajudam a proteger aquilo que está no centro de uma eleição democrática: o direito de cada pessoa decidir livremente o seu voto.

Campanha também integra as ações do CAIS ComCausa

“Eleições sem Ódio: democracia, informação e respeito” também integra as ações de promoção de direitos, cidadania, prevenção das violências e acesso à informação desenvolvidas pelo CAIS ComCausa.

O CAIS ComCausa é uma iniciativa executada pela ComCausa – Defesa da Vida, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública – MJSP, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos – SENAD.

A atuação do projeto reúne acolhimento, acesso a direitos, redução de danos, inclusão social, comunicação comunitária, participação cidadã, fortalecimento de vínculos e articulação com redes públicas e comunitárias.

Nesse contexto, ampliar o acesso a informações confiáveis e estimular uma participação cidadã livre de ameaças, violência e desinformação também faz parte da construção de uma cultura de direitos e de defesa da vida.

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