No próximo domingo, 3 de agosto, a partir das 15h30, moradores de Nova Iguaçu, entregadores, lideranças comunitárias e organizações da sociedade civil realizarão um ato público de denúncia e clamor por justiça pelas mortes de Júlio César Fernandes da Costa e Gabriel Pereira dos Santos. O encontro ocorrerá na Estrada Zumbi dos Palmares, próximo ao cruzamento com Vila de Cava, local onde Júlio foi atropelado e morto no dia 27 de julho durante uma entrega, em circunstâncias que apontam para um racha automobilístico. O motorista fugiu sem prestar socorro.
Durante a manifestação, os familiares de Gabriel Pereira dos Santos, jovem de 24 anos assassinado por um policial militar em uma abordagem violenta e arbitrária, também lançarão uma campanha pública por justiça, lembrando que sua morte completa um ano neste mês. A mobilização busca dar visibilidade a dois casos distintos, mas conectados pela violência e pela ausência de respostas efetivas do Estado.
Gabriel: um ano sem justiça
O assassinato de Gabriel ocorreu em 16 de agosto de 2024. Na manhã daquele dia, ele havia deixado sua noiva no trabalho, em Vila de Cava, e retornava para casa em Tinguá, quando foi abordado por dois policiais militares. Um deles, o terceiro-sargento Allan Mendes Rocha, posicionado com arma em punho no meio da estrada, disparou contra Gabriel pelas costas. A vítima, que usava fones de ouvido, caiu cerca de 20 metros à frente e morreu no local. Mesmo com testemunhas e indícios de uso desproporcional da força, o caso segue sem punição ao autor do disparo.
A morte de Gabriel não foi apenas uma tragédia familiar, mas também mais um capítulo da violência letal que vitima principalmente jovens negros nas periferias brasileiras. Sua família, amigos e movimentos sociais vêm promovendo ações contínuas de memória e cobrança por responsabilização, resistindo à tentativa de silenciamento institucional.
Júlio: trabalhador, pai de sete filhos
No caso de Júlio César, a indignação é igualmente profunda. O motociclista, de 39 anos, foi atropelado violentamente enquanto trabalhava. Testemunhas relataram que o veículo envolvido participava de um racha e que o condutor fugiu sem prestar socorro. A tragédia gerou comoção em Tinguá e arredores, principalmente por deixar sete filhos órfãos — o mais novo com apenas um mês de vida.
Mainara Dias, viúva de Júlio, tem liderado a mobilização por justiça. “Meu filho mais novo vai crescer sem conhecer o pai. Não podemos deixar que mais uma vida seja esquecida”, afirmou. O caso pode configurar, segundo o Código de Trânsito Brasileiro, homicídio culposo, omissão de socorro e fuga do local do crime.
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Contra o esquecimento: ato por justiça e dignidade
A manifestação deste domingo será um encontro de dor, resistência e exigência de justiça. Organizações como a ComCausa – Defesa da Vida estão apoiando os familiares e mobilizando a comunidade para que os casos não caiam no esquecimento. “Trata-se de lutar por memória, verdade e dignidade em um território que já carrega muitas marcas de violência”, destaca a entidade, que acompanha de perto ambas as famílias.
Mais do que protestar, o ato de domingo pretende denunciar as estruturas de impunidade que se repetem em casos como os de Júlio e Gabriel. Em um país onde vidas negras e periféricas são constantemente tratadas como descartáveis, a mobilização por justiça é um grito coletivo de sobrevivência e de esperança.
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