Fiocruz abre seleção para formar defensores de direitos humanos e saúde em 2026

Castelo Mourisco, sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro

A Fiocruz deu início à 4ª Chamada Pública da Rede de Defensores de Direitos Humanos e Promoção da Saúde, uma das iniciativas mais estruturadas do país para fortalecer lideranças comunitárias e ampliar o protagonismo social em territórios populares. Lançada pela Coordenação de Cooperação Social da Presidência, a convocatória está aberta de 24 a 30 de novembro de 2025 e promete qualificar agentes que atuam diariamente na defesa de direitos, saúde e dignidade em favelas, periferias e áreas rurais do Rio de Janeiro.

Nesta edição, serão selecionadas 20 lideranças que participarão de uma formação intensiva ao longo de 10 meses, com início previsto para o primeiro semestre de 2026. Trata-se de um processo pedagógico construído com base no diálogo entre saberes acadêmicos e experiências comunitárias, fortalecendo a capacidade de ação nos territórios.

A metodologia da formação inclui:

  • Oficinas temáticas com especialistas e lideranças sociais;
  • Análises de conjuntura sobre direitos humanos e saúde;
  • Acompanhamento individualizado por uma equipe multidisciplinar;
  • Visitas aos territórios dos selecionados para fortalecer iniciativas locais;
  • Apoio em saúde mental, reconhecendo o impacto emocional da atuação em contextos de conflito e vulnerabilidade;
  • Construção coletiva de mapeamentos sobre violações de direitos nas favelas, periferias e áreas rurais.

A proposta central é formar agentes capazes de articular redes, influenciar políticas públicas e fortalecer mecanismos comunitários de proteção.

Temáticas abrangentes para respostas efetivas nos territórios

As oficinas abordarão temas estruturantes e também questões emergentes que impactam diretamente a garantia de direitos. Entre elas:

  • Educação
  • Direitos das mulheres
  • Etnia e raça
  • Reforma agrária e segurança alimentar
  • Moradia urbana e regularização fundiária
  • Direitos LGBTQIA+
  • Justiça socioambiental
  • Povos indígenas, quilombolas e tradicionais
  • Saúde integrada e promoção da vida
  • Acesso à cultura
  • Sistema prisional e encarceramento em massa
  • Sistema socioeducativo
  • Direitos da criança, adolescente e juventudes
  • Apoio a familiares de vítimas de violência
  • Mobilidade urbana e acesso à cidade
  • Pessoas com deficiência
  • Refugiados e migrantes
  • Trabalho digno e economia popular
  • Comunicação popular e direito à informação

A ampla variedade de temas reflete os desafios enfrentados pelas periferias brasileiras e a necessidade de respostas intersetoriais.

Bolsa de apoio para garantir participação

Para viabilizar a dedicação das lideranças ao processo formativo, cada participante receberá uma bolsa mensal de R$ 1.600,00, durante até 10 meses, condicionada à participação nas atividades presenciais e encontros formativos.

Esse apoio financeiro é fundamental para garantir a presença de defensores que muitas vezes conciliam trabalho precário, cuidado familiar e atuação comunitária, reforçando a perspectiva de Defesa da vida e da dignidade.

Quem pode se inscrever

A chamada é voltada para pessoas:

  • Maiores de 18 anos;
  • Com atuação comprovada em coletivos, movimentos sociais, grupos comunitários, organizações ou iniciativas populares;
  • Residentes ou atuantes em territórios rurais, favelas, periferias e comunidades do Estado do Rio de Janeiro.

As inscrições devem ser feitas pelo formulário oficial até 23h59 do dia 30 de novembro de 2025.

Durante o processo seletivo, dúvidas podem ser enviadas para:
defensorxspopulares@gmail.com

A lista de selecionados será divulgada na página da Coordenação de Cooperação Social.

Para além da formação: construir redes, ampliar vozes

A Fiocruz destaca que defensores e defensoras de direitos são pessoas, grupos ou coletivos que atuam contra violações e pela conquista de novos direitos — civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais. A criação e o fortalecimento dessa rede reforçam estratégias comunitárias de enfrentamento à violência institucional, desigualdade, racismo e abandono estatal.

A iniciativa consolida uma política pública inovadora, que articula saúde, educação, justiça social e participação cidadã, alinhada ao compromisso histórico da Fiocruz com a promoção da vida, da equidade e da democracia.

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