Fiocruz e MNU promovem formação em saúde antirracista nas favelas do Rio de Janeiro

Castelo Mourisco, sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Movimento Negro Unificado do Rio de Janeiro (MNU-RJ) estão promovendo, entre agosto e setembro de 2025, o 2º Ciclo de Formação de Promotores Populares de Saúde Antirracista. O curso gratuito ocorre em sete favelas do Rio e da Baixada Fluminense: Manguinhos, Jacarezinho, Cidade Alta, Vila Aliança, Rocinha, Vila Cruzeiro e Mangueirinha (Duque de Caxias).

Voltada para moradores, coletivos locais e organizações sociais, a iniciativa busca formar agentes comunitários comprometidos com o enfrentamento ao racismo estrutural no sistema de saúde, promovendo educação crítica, participação cidadã e justiça social nos territórios mais afetados pelas desigualdades.

Antirracismo como base da saúde pública

O curso é conduzido por uma equipe multidisciplinar e aborda, a partir da realidade das favelas, temas urgentes e interseccionais como:

  • Saúde da mulher negra e racismo obstétrico
  • Violência armada e saúde mental da população negra periférica
  • Saúde e envelhecimento da população negra
  • Infância negra, enfrentamento das violências sexuais e educação antirracista
  • Igualdade de gênero, arte e justiça social

Os encontros variam em datas e horários conforme o território. A certificação é garantida pela Fiocruz e pelo MNU, valorizando o saber popular e o protagonismo das comunidades na construção de uma saúde pública mais inclusiva e democrática.

Formação com base territorial

O curso conta com apoio de instituições de cada localidade, como a EPSJV/Fiocruz, Centro Municipal de Saúde Dr. Renato Rocco, CUFA, Terra dos Homens, Escola Municipal Sandra Pires, entre outras.

As inscrições seguem abertas e podem ser feitas pelo formulário online oficial, disponível nos canais da Fiocruz e do MNU-RJ.

Formação popular como ferramenta de transformação

O 1º Ciclo de Formação, realizado em maio deste ano no Jacarezinho, já havia reunido profissionais de saúde, lideranças populares e ativistas, fortalecendo as bases para esta segunda etapa. A proposta se insere no campo da educação emancipadora, onde território, raça, classe e saúde são tratados como dimensões indissociáveis da luta por equidade.

A iniciativa reforça que formar agentes populares de saúde antirracista é investir no cuidado com a vida, na potência da favela e no fortalecimento do SUS como política pública antidiscriminatória e enraizada nos territórios.

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