O mês de novembro registrou um recorde de pessoas baleadas durante roubos e tentativas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com 32 vítimas, sendo 12 mortas e 20 feridas, o maior número desde julho de 2021. Os dados são do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado, que aponta um aumento de 45% em relação a outubro, quando 22 vítimas foram atingidas nessas circunstâncias, sendo 14 feridas e 9 mortas.
Em comparação com novembro de 2023, o número de vítimas também apresentou crescimento significativo. No mesmo período do ano passado, foram 10 pessoas baleadas, com 5 mortes e 5 feridos. Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado, destacou o impacto da violência no cotidiano dos moradores. “A sensação de insegurança é diária e afeta a rotina dos moradores do Grande Rio, que vivem sob uma realidade de violência, medo e traumas. O estado precisa agir para conter esses problemas que já se tornaram rotina. Dados como os do Fogo Cruzado são fundamentais para que a população tenha real dimensão do problema e pressione o poder público por soluções eficazes”, afirmou.
Entre as vítimas baleadas durante roubos e tentativas em novembro, 28 eram homens, 4 mulheres, 3 agentes de segurança e 1 idoso. A distribuição da violência armada pelas seis regiões da Região Metropolitana apresentou números alarmantes. A Zona Norte da capital liderou os registros, com 60 tiroteios, resultando em 9 mortos e 24 feridos, seguida da Baixada Fluminense, com 55 tiroteios, 21 mortos e 25 feridos. A Zona Oeste do Rio registrou 39 tiroteios, com 18 mortos e 18 feridos, enquanto o Leste Metropolitano somou 20 tiroteios, 9 mortos e 9 feridos. Já o Centro da capital contabilizou 5 tiroteios, com 1 morto e 4 feridos, e a Zona Sul teve 2 tiroteios, com 1 morto e 1 ferido.
Entre os municípios mais afetados, o Rio de Janeiro liderou com 106 tiroteios, 29 mortos e 47 feridos. Na Baixada Fluminense, São João de Meriti teve 16 tiroteios, com 6 mortos e 6 feridos, enquanto Duque de Caxias registrou 14 tiroteios, com 2 mortos e 4 feridos. Belford Roxo acumulou 13 tiroteios, 6 mortos e 7 feridos, seguido por Niterói, com 10 tiroteios, 5 mortos e 7 feridos, e São Gonçalo, com 7 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos.
Os bairros mais afetados pela violência armada incluem Éden, em São João de Meriti, com 10 tiroteios e 4 mortos, além de Bangu, no Rio de Janeiro, com 9 tiroteios, 4 mortos e 3 feridos. Vila Isabel registrou 7 tiroteios, enquanto Itanhangá teve 6 tiroteios, com 5 mortos e 3 feridos.
O relatório também destacou o perfil das vítimas da violência armada. Quatro crianças foram baleadas em novembro, sendo que uma morreu e três sobreviveram. Entre os adolescentes, três foram baleados e sobreviveram, enquanto um idoso foi atingido e sobreviveu. Houve também 4 vítimas de bala perdida, sendo 1 morto e 3 feridos, todas atingidas durante ações policiais. Entre os agentes de segurança, 12 foram baleados, com 3 mortes e 9 feridos.
No acumulado do ano, entre janeiro e novembro de 2024, foram registrados 2.348 tiroteios/disparos de arma de fogo, com 1.431 vítimas baleadas, sendo 684 mortas e 747 feridas. O número representa queda de 16% nos tiroteios em relação ao mesmo período de 2023, que teve 2.787 registros, além de queda de 24% no número de mortos e 10% no total de feridos.
Os dados do Instituto Fogo Cruzado reforçam o cenário de insegurança enfrentado pelos moradores do Grande Rio, evidenciando a urgência de políticas públicas eficazes para o combate à violência armada na região.
Foto de capa ilustrativa.
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