O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou uma nova fase de preparação para a realização do primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua. A etapa começou em Salvador, na Bahia, e tem como objetivo integrar equipes do instituto, gestores municipais e representantes de movimentos sociais que participarão da construção e aplicação da pesquisa.
A iniciativa representa um marco para as políticas públicas brasileiras. Embora existam levantamentos realizados por municípios, estados e instituições de pesquisa, o país ainda não dispõe de um censo nacional específico capaz de dimensionar com precisão o número de pessoas que vivem em situação de rua e suas condições de vida.
Nesta fase, o trabalho está voltado para a validação da metodologia que será utilizada na coleta de dados. O processo inclui testes operacionais, capacitação de equipes e articulação com agentes locais que atuarão no contato direto com a população. Entre os participantes estão representantes do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, que colaborarão para ampliar o alcance e a confiabilidade do levantamento.
A proposta busca superar um dos principais desafios das pesquisas tradicionais: localizar e contabilizar uma população que frequentemente está em deslocamento constante e enfrenta condições de extrema vulnerabilidade social. Para isso, o IBGE vem adaptando experiências nacionais e internacionais voltadas à produção de dados sobre grupos historicamente invisibilizados pelas estatísticas oficiais.
O cronograma prevê a realização da chamada Prova Piloto entre junho e julho de 2026. Além de Salvador, as atividades ocorrerão em Goiânia, Manaus, Belo Horizonte e Florianópolis. Os testes servirão para aperfeiçoar instrumentos de coleta, protocolos de abordagem e estratégias de mobilização social.
Segundo o planejamento divulgado, uma segunda etapa piloto está prevista para 2027. Já o censo experimental deverá ocorrer no início de 2028. A coleta oficial está programada para junho daquele ano, com divulgação dos resultados prevista para dezembro.
Especialistas em direitos humanos e assistência social apontam que a ausência de dados nacionais consolidados dificulta a formulação de políticas públicas voltadas à garantia de direitos fundamentais, como moradia, saúde, educação, trabalho e acesso à documentação civil. A expectativa é que o novo levantamento forneça subsídios para ações mais eficazes dos governos federal, estaduais e municipais.
O avanço do projeto também ocorre em um contexto de crescimento das discussões sobre pobreza urbana, desigualdade social e proteção das populações vulneráveis. O resultado do censo deverá contribuir para a elaboração de diagnósticos mais precisos e para o monitoramento das políticas destinadas à população em situação de rua em todo o território nacional.
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