Rodrigo de Oliveira, uma das vítimas do incêndio na fábrica Maximus Confecções, no bairro de Ramos, zona norte do Rio de Janeiro, faleceu neste domingo (16) no Hospital Estadual Getúlio Vargas. Ele era um dos oito pacientes internados em estado grave após a tragédia que ocorreu na última quarta-feira (12). Segundo as autoridades médicas, ainda há outras vítimas em estado crítico, incluindo um homem internado no Hospital Municipal Souza Aguiar.
O incêndio deixou um saldo de 21 feridos, dos quais 12 já receberam alta hospitalar. Uma paciente do Getúlio Vargas foi transferida para outra unidade e outra apresentou melhora. No entanto, cinco pessoas internadas no mesmo hospital seguem em estado grave, sendo três mulheres e dois homens. Todos os feridos que inalaram fumaça passaram por broncoscopia, procedimento que permite a limpeza das vias respiratórias, para remoção da fuligem aspirada durante o incêndio.
Indícios de ligação clandestina de energia
A fábrica onde o incêndio ocorreu foi interditada devido ao risco de desabamento do teto. No dia seguinte à tragédia, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e policiais da 21ª DP (Bonsucesso) realizaram uma vistoria detalhada no local. Durante a inspeção, foram encontradas diversas ligações clandestinas de energia, os chamados “gatos”. Técnicos da Light acompanharam a nova inspeção para verificar se essas conexões irregulares podem ter causado o incêndio.
Segundo o engenheiro civil e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Júlio César da Silva, há fortes indícios de que um curto-circuito provocado pelo excesso de carga e a má conservação das instalações elétricas pode ter sido a causa da tragédia. Ele apontou que o alto consumo de energia para produção de fantasias no período pré-carnaval pode ter contribuído para o incêndio.
Empresas registradas no mesmo galpão
Investigações apontaram que duas empresas operavam no mesmo galpão da Maximus Confecções: a Maximus Ramo Confecções de Vestuário e a Bravo Zulu Confecções e Representações Ltda. Ambas estavam registradas para o mesmo tipo de atividade e tinham como proprietários o barraqueiro uruguaio Milton Gonzalez, de 77 anos, e o empresário Hélio Araújo de Oliveira, de 41 anos.
A advogada das empresas esteve no local, mas declarou não conhecer Milton Gonzalez. Já Hélio Oliveira ainda não prestou depoimento, mas deverá ser intimado nos próximos dias. Além da Polícia Civil, auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego também estiveram no local para apurar possíveis violações trabalhistas.
Possíveis irregularidades trabalhistas
A auditora fiscal Ana Luiza Caldas Horcades afirmou que a investigação busca entender os mecanismos que levaram ao incêndio e verificar se os funcionários dormiam no galpão no momento do acidente. Segundo ela, o caso será tratado como um acidente de trabalho grave, dada a quantidade de vítimas envolvidas. O objetivo da fiscalização é impedir que tragédias semelhantes voltem a ocorrer no setor têxtil.
Impacto no carnaval e resgate dramático
Três escolas de samba foram severamente prejudicadas pelo incêndio: Império Serrano, Unidos de Bangu e Unidos da Ponte. Em reunião emergencial, a Liga RJ decidiu que essas agremiações desfilarão no Carnaval deste ano sem concorrer, ou seja, não poderão ser rebaixadas nem disputar o acesso ao Grupo Especial. Já as demais 13 escolas, algumas também afetadas pela tragédia, seguirão concorrendo normalmente, com duas sendo rebaixadas para a Série Prata e apenas uma garantindo o acesso à elite do carnaval carioca em 2026.
A tragédia mobilizou bombeiros e equipes de resgate para retirar os trabalhadores do incêndio. Algumas vítimas ficaram encurraladas pelo fogo e precisaram ser resgatadas por janelas externas. Imagens aéreas mostraram um grupo de trabalhadores pedindo socorro em meio à fumaça densa. O resgate foi dificultado pelo acesso estreito ao galpão, o que impediu a aproximação de caminhões com escadas magirus. As vítimas foram retiradas minutos antes de as chamas se alastrarem para o andar onde estavam.
Um dos sobreviventes relatou que o incêndio começou no térreo e se espalhou rapidamente. “Foi muito rápido, lambeu tudo!”, disse ele, ainda abalado com a tragédia. A investigação sobre as causas do incêndio segue em andamento.
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