A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do policial militar Fabio Anderson Pereira de Almeida, acusado de matar Guilherme Dias Santos Ferreira, de 22 anos, após confundi-lo com um assaltante. O caso ocorreu em 4 de julho, no extremo sul da capital paulista, logo após a vítima sair do trabalho.
A decisão foi tomada após denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), apresentada na quinta-feira, 14 de agosto, e obtida com exclusividade pela CNN Brasil. O juiz do caso acatou os argumentos do MP e considerou a prisão necessária para garantir a continuidade das investigações.
Crime motivado por vingança, diz denúncia
Segundo a denúncia do MPSP, o PM agiu por motivo torpe, motivado por um sentimento de vingança, após ter sofrido uma tentativa de assalto por parte de um grupo de motociclistas. Após reagir à ação e afastar os assaltantes, o policial permaneceu no local armado.
Minutos depois, ao ver Guilherme se aproximando de um ponto de ônibus, Fabio teria confundido o jovem com um dos autores da tentativa de roubo e efetuado um disparo, atingindo a cabeça da vítima pelas costas, segundo testemunhas e a investigação. “O delito foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido, pois este foi atingido pelas costas, enquanto corria para pegar um ônibus, não podendo desconfiar que seria um alvo do denunciado”, diz trecho da denúncia.
Justiça aponta periculosidade e risco à investigação
Na decisão, a juíza Paula Marie Konno destacou o “alto grau de periculosidade” demonstrado pelo policial e afirmou que o modus operandi do crime justifica a prisão preventiva. A magistrada também entendeu que a liberdade do acusado poderia comprometer a coleta de provas e a instrução do processo. “A gravidade concreta do crime e a periculosidade do agente, evidenciada pelo modus operandi, constituem fundamentação idônea para a decretação da custódia preventiva”, afirmou a juíza.
Família pede justiça e reparação
Em nota, a defesa da família de Guilherme informou que recebeu com alívio a decisão judicial e que pretende ingressar com ação de indenização por danos morais. “Lutaremos para que a família de Guilherme receba ao menos a mínima reparação indenizatória diante da perda irreparável que sofreu”, declarou a equipe jurídica.
Guilherme, que trabalhava e estudava, foi descrito por parentes como um jovem tranquilo, dedicado e sem antecedentes criminais. Sua morte gerou comoção e revolta, especialmente pelo fato de ter ocorrido em uma situação totalmente injustificada, como apontam os autos.
Um caso que evidencia falhas estruturais
O episódio reacende o debate sobre abordagens policiais abusivas, racismo estrutural e uso excessivo da força, especialmente em regiões periféricas. Organizações de direitos humanos têm acompanhado o caso como mais um exemplo de como a letalidade policial pode vitimar inocentes, inclusive quando fora de serviço.
O caso segue sob investigação e agora com a prisão preventiva decretada, o PM Fabio Anderson responderá por homicídio qualificado por motivo torpe e sem chance de defesa da vítima.
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