Justiça do Rio condena PMs por fraude em cena da morte de Kathlen Romeu

Kathlen Romeu - Gravida baleada no Rio de Janeiro

A 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou, nesta quinta-feira (19), três policiais militares por fraudar a cena da morte da designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos. A jovem foi baleada em junho de 2021 durante uma operação policial no Complexo do Lins, na Zona Norte da capital.

Grávida de 13 semanas, Kathlen caminhava com a avó quando foi atingida por um disparo de fuzil. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O caso gerou comoção nacional e se tornou um dos símbolos da violência policial em áreas periféricas do Rio.

O que diz a condenação

Foram condenados os policiais Rodrigo Correia de Frias, Marcos Felipe da Silva Salviano e Rafael Chaves de Oliveira. Eles responderam pelo crime de alterar a cena do crime — tecnicamente descrito como “inovar artificiosamente o estado de lugar”, previsto na Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019).

A decisão reconhece que houve interferência indevida no local onde Kathlen foi baleada, o que pode comprometer a produção de provas e dificultar a responsabilização correta pelos fatos. Ainda cabe recurso.

Relembre o caso

A morte de Kathlen Romeu ocorreu na manhã de 8 de junho de 2021, durante uma operação da Polícia Militar na comunidade do Lins. Naquele momento, não havia confronto no local onde ela estava, segundo relatos de moradores e familiares.

Testemunhas afirmaram que a jovem não estava em área de risco imediato quando foi atingida. Inicialmente, versões oficiais indicaram confronto, mas essa narrativa foi questionada ao longo das investigações.

A família denunciou inconsistências na condução do caso desde o início, incluindo a forma como a cena foi preservada e as informações divulgadas pelas autoridades.

Kathlen era conhecida por seu trabalho como designer de interiores e por compartilhar nas redes sociais registros da gravidez, o que ampliou a repercussão do caso e a mobilização por justiça.

Processo sobre a morte ainda será julgado

Além da condenação por fraude, dois dos policiais — Frias e Salviano — ainda vão a júri popular para responder diretamente pela morte de Kathlen. A data do julgamento ainda não foi definida.

Essa etapa será decisiva para esclarecer quem efetuou o disparo e em que circunstâncias, além de avaliar a responsabilidade criminal pela morte.

Debate sobre operações policiais

O caso Kathlen Romeu se tornou um marco no debate sobre a letalidade policial no Rio de Janeiro, especialmente em operações realizadas em áreas densamente povoadas.

Organizações da sociedade civil apontam que episódios como esse evidenciam falhas estruturais nas políticas de segurança pública, incluindo o uso excessivo da força, a falta de protocolos eficazes de proteção à população civil e problemas na investigação de ações policiais.

A condenação dos agentes por fraude na cena do crime é vista como um passo importante, ainda que parcial, no processo de responsabilização. Para familiares e movimentos sociais, a expectativa agora se concentra no julgamento pelo Tribunal do Júri.

Memória e justiça

Mais de quatro anos após a morte de Kathlen, o caso segue como símbolo da luta por justiça e por mudanças nas práticas de segurança pública. A memória da jovem, interrompida junto com a gestação, continua mobilizando debates sobre o direito à vida, especialmente de mulheres negras e moradores de territórios periféricos.

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