Lançamento de livro e Missa Nordestina celebram fé e cultura na Capela São Mateus neste sábado

Capela São Mateus

Neste sábado, 28 de junho de 2025, a histórica Capela São Mateus, em Nilópolis, será palco de um encontro especial de fé, cultura e resistência: o lançamento do livro “Nosso Jeito de Celebrar: Com uma Igreja em Saída”, escrito por Frei Athaylton Tatá Jorge, OFM, e Maria Adelaide de Deus. A programação inclui uma Missa Inculturada Nordestina, que une a tradição litúrgica aos elementos da religiosidade popular do Nordeste — com músicas, símbolos e expressões culturais que traduzem a fé viva e encarnada do povo.

A publicação, com selo da Nandyala Livraria, Editora e Instituto, traz uma abordagem inovadora sobre a vivência da fé, propondo uma Igreja que caminha junto com o povo, acolhendo suas realidades e manifestações culturais. Frei Tatá Jorge, franciscano reconhecido por seu trabalho em prol da espiritualidade afro-brasileira, e Maria Adelaide de Deus, teóloga e ativista pela justiça social e pela igualdade religiosa, oferecem uma contribuição relevante ao debate contemporâneo sobre diversidade na prática cristã.

Uma obra de fé, cultura e resistência

Mais do que um livro, “Nosso Jeito de Celebrar” é um testemunho vivo da força das comunidades afrodescendentes e nordestinas dentro da Igreja. A obra destaca a importância de reconhecer e valorizar as formas plurais de expressão da espiritualidade cristã, muitas vezes silenciadas ou marginalizadas. Ao reafirmar a legitimidade das práticas culturais afro-brasileiras nas celebrações religiosas, os autores denunciam o preconceito e convidam à construção de uma Igreja mais inclusiva, em sintonia com os clamores das periferias. A publicação reforça a necessidade de promover o respeito à diversidade religiosa como parte integrante da luta pelos direitos humanos, especialmente em territórios onde a intolerância e o racismo estrutural ainda impõem barreiras à livre expressão da fé.

Encontro aberto à comunidade

O lançamento contará ainda com uma roda de conversa com os autores, sessão de autógrafos e partilhas com lideranças e movimentos que lutam por uma Igreja mais representativa. Estão entre os apoiadores do evento a Pastoral Afro-Brasileira, a Educafro e diversas organizações comprometidas com a inclusão, como a ComCausa Defesa da Vida, que acompanhará e registrará o evento.

Serviço

Data: Sábado, 28 de junho de 2025
Horário: A partir das 18h
Local: Capela de São Mateus – Nilópolis, RJ
Lançamento: “Nosso Jeito de Celebrar: Com uma Igreja em Saída”
Celebração: Missa Inculturada Nordestina

A atividade é aberta ao público e representa um chamado ao diálogo, à comunhão e ao reconhecimento das diversas formas de se viver e celebrar a fé.

Capela São Mateus: Importante ponto histórico

A Capela São Mateus, um dos marcos históricos da Baixada Fluminense, comemora mais um ano de existência. Erguida em 1637 por escravos e indígenas, a capela não apenas simboliza a fé católica, mas também entrelaça-se profundamente com a história da região.

Situada na Rua Antônio Cardoso Leal, 241, no Centro de Nilópolis, a capela possui um cemitério externo onde repousam os restos mortais de 55 escravos, vítimas de uma epidemia de cólera no século XIX. Ao longo dos séculos, a Capela São Mateus passou por várias restaurações em 1747, 1914, 1936 e 1989, mantendo intactas suas características originais barrocas jesuíticas.

Em 1999, a Capela São Mateus foi declarada Patrimônio Histórico Municipal, um reconhecimento oficial durante a gestão do prefeito José Carlos Cunha em 2000. Inicialmente encomendada por João Álvares Pereira, a construção utilizou materiais como adobe, uma mistura de barro batido, óleo de baleia e mariscos. As telhas eram moldadas nas coxas dos escravos.

Ao longo de sua história, a capela serviu a diferentes propósitos, incluindo uma clínica na década de 1930 e um núcleo da Legião da Boa Vontade na década de 1960. Transformada em matriz de São João de Meriti em 1747, o edifício chegou a ficar em ruínas e foi invadido por 48 pessoas antes da última restauração.

A arquitetura barroca da capela apresenta dois salões separados por um arco, onde, durante a escravidão, os senhores ocupavam a área próxima ao altar, enquanto os escravos ficavam atrás do arco. Infelizmente, ao longo do tempo, peças originais como telhas, a imagem de São Mateus, a pia batismal, o sino, duas cruzes de ferro e o altar-mor desapareceram ou foram destruídas por cupins.

O Mausoléu do Escravo, inaugurado em 13 de maio de 1988 abriga os restos dos escravos em um espaço adjacente à capela. A área total da construção abrange cerca de 2.500 metros quadrados, dos quais 112 metros pertencem ao edifício da igreja.

A Capela São Mateus fica na Rua Antônio Cardoso Leal, 241 – Centro – Nilópolis –  Mais informções com a ComCausa Rio +55 21 99957-3821 > Baixada 21 96942-1505

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