Menina de 3 anos recebe alta após traumatismo craniano em escola de São Gonçalo

Pérola Hadassa Nery Paixão - Foto Reprodução

Pérola Hadassa Nery Paixão, de apenas 3 anos, recebeu alta nesta segunda-feira (3) do Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, após 10 dias internada devido a um grave traumatismo craniano. A criança deixou a unidade acompanhada dos pais, Guilherme Paixão e Marlene Ribeiro, que não esconderam a emoção e o alívio com a recuperação da filha. “O coração tá explodindo de felicidade. Muito. Tô muito grata ao hospital, a todo mundo”, declarou Marlene, ainda visivelmente emocionada, ao agradecer à equipe médica que cuidou de Pérola.

O caso, que chocou a população local, teve início no dia 17 de fevereiro, quando Pérola caiu dentro da Unidade Municipal de Educação Infantil Pastora Margarete Ribeiro Araújo, no bairro Jardim Alcântara, onde estudava. Segundo relatos da família, a menina bateu a cabeça após ser empurrada por um colega durante o horário escolar, mas não recebeu atendimento médico imediato. Em vez disso, a professora responsável colocou a criança para dormir e não comunicou os pais sobre o ocorrido. Marlene só soube do acidente ao buscar a filha, por volta das 17h, quando a professora relatou que Pérola havia caído às 15h, chorado, vomitado e sido mantida na escola sem maiores cuidados.

Ao chegar em casa, a menina apresentou sintomas graves, como vômitos frequentes e sonolência excessiva. Preocupados, os pais a levaram à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Colubandê, onde exames revelaram um coágulo no cérebro. Transferida às pressas para o Hospital Estadual Alberto Torres, Pérola passou por uma cirurgia de emergência para remover o hematoma. Durante a internação, ela ficou entubada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) infantil, em estado grave, mas apresentou melhora significativa nos últimos dias, sendo extubada na semana passada.

Investigação e denúncias de negligência

Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente e a conduta da equipe escolar. A investigação, conduzida pela 74ª DP (Alcântara), já intimou a diretora e as professoras da unidade para prestar depoimento. Imagens das câmeras de segurança do corredor da escola foram solicitadas, mas, segundo o delegado Marcello Braga, não há registros dentro da sala de aula, onde a queda ocorreu. As gravações mostram a professora saindo com Pérola chorando e aplicando gelo na cabeça da criança, mas sem acionar socorro médico ou os pais.

A Secretaria Municipal de Educação de São Gonçalo afastou imediatamente a diretora e a professora responsável pela turma, além de abrir uma sindicância interna para investigar possíveis responsabilidades. Em nota, a pasta lamentou o ocorrido, informou que está à disposição da família e destacou que realiza cursos regulares de primeiros socorros para capacitar profissionais da educação a agir em situações de emergência. A professora envolvida é investigada por omissão de socorro, crime que pode resultar em pena de detenção.

Recuperação e indignação

Apesar da alta, Pérola continuará sendo acompanhada por especialistas do Hospital Alberto Torres em consultas no ambulatório pós-cirúrgico. Durante a internação, a menina conquistou o carinho da equipe médica e dos funcionários da brinquedoteca, que a presentearam na saída. No entanto, a família segue indignada com a falta de assistência da escola. “Até agora ninguém procurou a gente para nada”, relatou a avó, Cláudia Arruda, ao jornal O Dia, na última semana, enquanto a neta ainda estava internada.

O caso levanta debates sobre a segurança nas escolas e a necessidade de protocolos mais rígidos para o atendimento de emergências infantis. Enquanto Pérola se recupera, a investigação policial e a sindicância da prefeitura seguem em andamento para esclarecer os fatos e garantir que episódios como esse não se repitam.

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