Morte de ativista trans Danny Rocha choca a Lapa e expõe vulnerabilidades da população LGBTQIA+ no Rio

Danny Rocha Ativista trans é assassinada no Rio de Janeiro

A ativista trans Dannielly Souza Rocha, de 37 anos, foi encontrada morta na madrugada desta sexta-feira, 2 de maio, no corredor do apartamento onde morava, na Lapa, região central do Rio de Janeiro. Conhecida como Danny Rocha, ela era cozinheira da CasaNem — um espaço de acolhimento para pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade — e formada em gastronomia pela ONG Gastromotiva. A Polícia Civil investiga o caso, registrado na 5ª Delegacia Policial (Mem de Sá), e até o momento não divulgou a causa oficial da morte.

Segundo relatos de vizinhos e amigos, Dannielly foi vista entrando em casa acompanhada de um homem com quem estava iniciando um relacionamento. Câmeras de segurança mostram o suspeito deixando o apartamento por volta das 0h30 da madrugada, horas antes de o corpo ser encontrado por um morador no corredor do prédio. Não havia sinais evidentes de violência como perfurações, cortes ou marcas de estrangulamento. A família aguarda a divulgação do laudo do Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer as causas da morte.

“Só sabemos que ela estava acompanhada de uma pessoa, houve uma luta, e essa pessoa saiu com o celular dela. Um morador viu ela desmaiada na escada. Até agora, não temos laudo que nos diga o que realmente aconteceu”, declarou Maria Aparecida Corrêa, prima de Danny.

A ONG Gastromotiva, onde Dannielly se formou, lamentou profundamente a perda. Em nota, a entidade destacou seu legado de amor, força e transformação: “Danny era uma mulher trans, sonhadora e uma profissional incansável que acreditava na cozinha como ferramenta de transformação — como nós acreditamos.”

Organizações de direitos humanos e coletivos LGBTQIA+ têm se mobilizado em solidariedade à família e em busca de justiça. Para Débora Barrosos, colaboradora da ComCausa, o caso de Dannielly Rocha é mais um reflexo da insegurança enfrentada diariamente pela população trans: “As vidas LGBTQIA+ continuam sendo alvos preferenciais da violência e do silenciamento. Não podemos naturalizar a morte de uma mulher como Danny, que dedicou sua vida ao cuidado, à solidariedade e à transformação social.”

O caso reforça a urgência de políticas públicas de proteção à população LGBTQIA+, especialmente mulheres trans e travestis, que figuram entre as maiores vítimas de violência letal no país. A ComCausa acompanha a apuração do crime e reafirma seu compromisso com a promoção dos direitos humanos e a justiça para Dannielly.

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