Prefeitura do Rio anuncia projeto de R$ 84,8 milhões para reconstrução do Camelódromo da Uruguaiana

Camelódromo da Uruguaiana - Centro

Após o incêndio que atingiu parcialmente os boxes do camelódromo da Uruguaiana em janeiro deste ano, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou, nesta segunda-feira (5), a abertura de licitação para execução do projeto de reconstrução e modernização total do espaço, que é um dos maiores centros de comércio popular do estado. Com orçamento previsto de R$ 84,8 milhões, a proposta transforma o local em um shopping popular vertical, com quatro pavimentos e cerca de 1.600 boxes comerciais amplos, acessíveis e com infraestrutura moderna.

O projeto arquitetônico prevê a demolição da atual estrutura e a construção de um novo edifício com térreo e três mezaninos metálicos, organizados com fileiras de boxes, duas praças de alimentação, áreas de carga e descarga, sanitários, loja âncora e varandas panorâmicas voltadas para as ruas Uruguaiana e Presidente Vargas. O novo desenho ainda integra um boulevard urbano, conectando essas duas vias centrais, com reurbanização completa do entorno, totalizando 10 mil metros quadrados com calçadas acessíveis, paisagismo e melhorias em infraestrutura pública.

A prefeitura garantiu que nenhum comerciante será deixado para trás. A Secretaria Municipal de Infraestrutura afirmou que os trabalhadores serão temporariamente realocados em áreas provisórias durante o andamento das obras, que serão executadas em quatro fases, com o objetivo de manter o funcionamento contínuo do mercado e minimizar perdas financeiras aos vendedores.

“A ideia é tornar o local mais agradável e seguro para os comerciantes e o público em geral, integrando melhor o novo mercado à paisagem urbana, respeitando os bens tombados e oferecendo infraestrutura moderna e um sistema eficiente de prevenção a incêndios”, afirmou o secretário de infraestrutura, Wanderson Santos.

Nos primeiros dois mezaninos estarão localizados mais boxes e sanitários, com áreas de circulação projetadas para ventilação cruzada e iluminação natural. Já o terceiro mezanino abrigará órgãos da Prefeitura, reforçando a presença institucional e garantindo maior fiscalização e apoio à dinâmica econômica da região. Toda a cobertura será metálica, com estrutura treliçada e telhas de alumínio, seguindo as diretrizes urbanísticas do Plano Agache para o centro histórico.

O lançamento do projeto gerou reações mistas entre os camelôs. Enquanto muitos celebram a modernização e a possibilidade de aumento nas vendas, há preocupações sobre o risco de descaracterização da tradição popular do mercado. Representantes de movimentos sociais ligados à economia informal alertam para a necessidade de garantir que o novo espaço continue sendo inclusivo e acessível às classes trabalhadoras.

A licitação está prevista para o dia 9 de junho. Após a definição da empresa vencedora, será anunciada a data de início das obras, cujo prazo de execução é estimado em 16 meses. O projeto é considerado um marco para a revitalização do Centro do Rio e pode se tornar modelo para outros polos comerciais da cidade.

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