Django da B.F lança o álbum “Borabora (Vamos Migrar)”

Django da BF

O cenário cultural da Baixada Fluminense, território historicamente marcado pela resistência e pela efervescência criativa, acaba de ganhar mais um capítulo importante com o lançamento do novo álbum de Django da BF intitulado “Borabora (Vamos Migrar)”, o trabalho chega às plataformas digitais em setembro de 2025, consolidando a trajetória do artista como uma das vozes mais singulares do rap alternativo brasileiro, ao mesmo tempo em que dialoga com outras vertentes sonoras como o rock, o blues e experimentações musicais pouco usuais no mainstream.

Nascido e criado na Baixada Fluminense, Django iniciou sua caminhada artística participando de diversos projetos coletivos, tendo como marco a banda Juventude Perdida, um grupo que já carregava no nome o retrato das contradições vividas por jovens periféricos. Ali, começou a moldar uma identidade marcada pelo inconformismo, pela crítica social e pela coragem de experimentar estéticas sonoras fora dos padrões impostos pela indústria.

Ao decidir trilhar o caminho solo, o artista não se limitou às fronteiras do rap. Misturando batidas pesadas, riffs de guitarra, nuances de blues e até projeções eletrônicas, Django passou a construir uma sonoridade própria. Essa ousadia se manifestou em 2017 com o lançamento do primeiro álbum, “Na BF 1000 anos atrasada”, uma obra que rapidamente se tornou referência no underground. Com músicas como “Austin Problemático”, “Dias Melhores”, “Por Toda Geração” e a faixa-título, o disco dialogava com a realidade da Baixada, abordando temas como desigualdade, precariedade e sonhos adiados.

Em 2020, em meio à turbulência mundial causada pela pandemia, Django lançou o segundo trabalho, “1984 – The Austin Blues”, que já sinalizava uma ampliação de horizontes sonoros e consolidava o artista como referência em experimentação.

“Borabora (Vamos Migrar)” – um manifesto em 13 capítulos sonoros

Agora, cinco anos depois, chega às mãos do público o quarto trabalho de estúdio de Django: “Borabora (Vamos Migrar)”. O disco conta com 13 faixas, somando mais de 40 minutos de duração, e apresenta uma viagem poética e musical que convida o ouvinte a refletir sobre o tempo presente, sobre a memória de lutas passadas e sobre a necessidade de projetar novos futuros.

A primeira faixa, “A Mente Não Para”, já abre o disco em clima intenso, reafirmando a inquietação que atravessa toda a obra. Em seguida, a faixa-título “Borabora” dá o tom da migração simbólica que o álbum propõe: uma travessia, uma mudança de paradigmas, uma jornada coletiva. Outras músicas, como “Terra de Malboro”, “Vale do Armagedom” e “Progresso Invertido”, trazem críticas contundentes à violência estrutural, à alienação cultural e às contradições do desenvolvimento urbano.

Mas o álbum também reserva momentos de lirismo e esperança, como em “Eu Quero Acreditar” e “Num Sonho”, que exploram a dimensão afetiva e espiritual da existência, mostrando que, mesmo em meio ao caos, ainda é possível acreditar na transformação. A faixa final, “Austin Paz”, encerra o trabalho como uma espécie de síntese: um pedido de paz, mas também um grito de resistência, reafirmando que a arte é arma e refúgio.

O artista fala sobre o disco

Para Django, esse é um álbum que carrega uma longa gestação: “Esse disco já tá aí há dois a três anos, com todos os problemas que aconteceram. Não tenho muito o que falar, é o lançamento do quarto disco do Projeto Django, disponível em todas as plataformas. Se puder me dar essa moral aí, divulga, porque a música é pra circular, é pra viver.”

A fala simples, direta e sem firulas, é reveladora: Django não busca a lógica mercadológica da indústria musical. Seu compromisso está na circulação da arte, na partilha das palavras e na experiência coletiva que suas músicas despertam.

Um grito que ecoa da Baixada para o mundo

Com “Borabora (Vamos Migrar)”, Django da B.F reafirma o papel da música como ferramenta de denúncia, de mobilização e de sonho. Não se trata apenas de um disco, mas de um manifesto sonoro que nasce da periferia e dialoga com questões universais. A obra não se limita a entreter: provoca, incomoda, emociona e inspira.

Assim como seus trabalhos anteriores, o novo álbum mostra que a Baixada Fluminense segue sendo um celeiro de arte e cultura potente, capaz de influenciar e dialogar com o cenário nacional. Django é uma dessas vozes que não se calam, que seguem produzindo, reinventando e lançando luz sobre as sombras.

Confira também:

Em maio de 2020, disponibiliza em todas as plataformas digitais seu segundo álbum: “1984 – The Austin Blues”.

Contatos: Página no Facebook Django | Telefone +55 21 98862-2083

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