PM da reserva atira em estudante confundido com suspeito de roubo

Igor, o estudante baleado — Foto ReproduçãoRedes sociais

Testemunhas, afirmam que o autor dos disparos confundiu a vítima com um suspeito de roubo de celular. Igor Melo de Carvalho, de 32 anos, estava voltando para casa de moto após sair do trabalho como garçom quando foi atingido.

O disparo partiu de um policial militar da reserva, que se apresentou à 22ª Delegacia de Polícia (Penha) como autor do tiro. Ele alegou que teria visto um homem roubando um celular e atirou acreditando que Igor fosse o criminoso. A família da vítima contesta essa versão e afirma que Igor não tinha qualquer relação com o crime.

De acordo com testemunhas, Igor havia acabado de sair do bar onde trabalha quando foi atingido. “Meu irmão estava apenas indo para casa. Ele trabalha muito, estuda e não tem nenhum envolvimento com crime. É um absurdo o que aconteceu”, disse João Melo de Carvalho, irmão da vítima.

Igor foi socorrido por populares e levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha e ficou sob custódia da polícia. A Polícia Civil não disse por que Igor está internado sob custódia, uma vez que a mulher do PM reconheceu apenas o condutor da moto.. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, seu estado de saúde é grave. A família acompanha o caso e cobra justiça. “Queremos que isso seja investigado a fundo. Não podemos aceitar que um inocente seja baleado assim”, afirmou um primo da vítima.

A Polícia Civil informou que o policial da reserva prestou depoimento e foi liberado. O caso está sendo investigado pela 22ª DP, que vai apurar as circunstâncias do disparo e se houve legítima defesa ou excesso por parte do PM. A perícia foi realizada no local do crime e imagens de câmeras de segurança da região serão analisadas.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) se manifestou sobre o caso e cobrou rigor na apuração. “É preciso que os órgãos competentes investiguem com seriedade para que a justiça seja feita. Casos como esse não podem se repetir”, disse Marcelo Andrade, presidente da comissão de direitos humanos da OAB-RJ.

A família de Igor pede que o caso não seja esquecido e que medidas sejam tomadas para evitar que novos episódios como esse aconteçam. “A vida do meu irmão está por um fio e queremos respostas. A polícia tem que ser responsável e não agir assim, atirando em qualquer um”, desabafou João Melo de Carvalho.

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro declarou que acompanha as investigações e que o caso será analisado pela Corregedoria da corporação. “Estamos colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos e reforçamos nosso compromisso com a legalidade e o respeito aos direitos humanos”, afirmou a PM em nota.

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