Nesta quarta-feira (24/9), o auditório do Hospital e Maternidade Municipal Juscelino Kubitschek (Hospital JK) foi palco de um encontro que reuniu dezenas de profissionais da saúde para debater um dos temas mais urgentes da atualidade: a saúde mental no contexto do trabalho. A roda de conversa “Se Precisar, Peça Ajuda”, organizada pelo Programa de Saúde e pelo Núcleo de Educação Permanente de Nilópolis, fez parte das atividades do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio.
A realidade enfrentada por trabalhadores da saúde é marcada por longas jornadas, baixos salários, situações de risco, falta de recursos e forte pressão emocional. De acordo com dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mais de 65% dos profissionais da enfermagem relatam sintomas de ansiedade ou depressão, números que se intensificaram após a pandemia da Covid-19. No Brasil, estima-se que uma em cada cinco pessoas desenvolve transtornos mentais relacionados ao trabalho, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Durante o encontro, os participantes compartilharam experiências pessoais e profissionais sobre os impactos do estresse e das sobrecargas. Em uma dinâmica simbólica, seguraram uma bola amarela e escreveram palavras que representassem suas maiores dificuldades no dia a dia, como “pressão”, “exaustão”, “sobrecarga” e “insegurança”. O exercício revelou não apenas o sofrimento individual, mas também a força coletiva para enfrentar os desafios. O encerramento com a música “Epitáfio”, da banda Titãs, trouxe uma mensagem de reflexão sobre a importância de dar mais valor à vida, às relações humanas e aos pequenos detalhes.
Vozes da escuta e do acolhimento
A diretora do CAPS II Espaço Vivo, Cláudia Milene, destacou a urgência em valorizar a escuta dos profissionais:
“Sofrimento psíquico não é frescura, não é modinha. É uma realidade que precisa ser levada a sério. Hoje, no município, atendemos tentativas de suicídio com frequência. O sofrimento precisa ser escutado, acolhido e tratado com respeito.”
A subsecretária de Saúde, Priscila Garcia, também esteve presente e fez questão de reconhecer o empenho das equipes:
“Mesmo diante das dificuldades do município, temos os melhores profissionais. São trabalhadores que, mesmo com tantas lutas, não desistem e seguem firmes na missão de cuidar da população.”
Dados alarmantes sobre o suicídio
O suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, sendo que 79% dos casos ocorrem em países de baixa e média renda. O Setembro Amarelo, instituído no Brasil em 2015, é uma resposta a esses dados alarmantes, buscando conscientizar, prevenir e ampliar redes de apoio.
No campo da saúde, os riscos são ainda mais evidentes: profissionais que lidam diariamente com dor, perda e sobrecarga emocional estão mais vulneráveis ao adoecimento mental. Pesquisas apontam que a síndrome de burnout já atinge cerca de 30% dos trabalhadores da saúde no país, evidenciando a necessidade de políticas permanentes de cuidado com quem cuida.
Onde buscar ajuda
Durante o encontro, foi reforçada a importância de procurar apoio sempre que necessário. O Centro de Valorização da Vida (CVV) é referência nesse acolhimento, oferecendo escuta qualificada e sigilosa 24 horas por dia. O serviço pode ser acessado gratuitamente pelo número 188 ou pelo site www.cvv.org.br, via chat, e-mail e Skype.
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