O jornalista e escritor Rafael Bahia, oriundo de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, apresenta ao público o romance Maxambomba Popular, publicado pela Ópera Editorial e atualmente em fase de pré-venda. A obra se inscreve na tradição da literatura engajada e periférica, reafirmando a Baixada como espaço de memória, resistência e elaboração crítica da realidade social brasileira.
Graduado em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá (2023) e atualmente cursando Marketing Político na mesma instituição, Bahia também se formou no curso de escritores “Universidade das Quebradas”, promovido pela Academia Brasileira de Letras em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além de sua atuação literária, é professor de capoeira e MC, expressando em sua trajetória múltiplas linguagens artísticas que se entrelaçam no compromisso com a cultura popular. Como morador de Nova Iguaçu, reafirma em sua produção a centralidade da Baixada Fluminense, território historicamente invisibilizado, mas que se projeta como celeiro cultural e político de importância nacional.
O romance e sua tessitura narrativa
Em Maxambomba Popular, o leitor é conduzido pela trajetória de Miguel, personagem que, marcado por dores e injustiças, encontra na guerrilha popular da Baixada um caminho de reinvenção e luta. O romance percorre suas memórias e dilemas, revelando as contradições de um país atravessado por desigualdades históricas, violência estatal e repressão política.
A narrativa evoca personagens simbólicos como Zé do Galo, figura lendária da insurgência popular, e a Missionária Olga, liderança pentecostal comprometida com a causa dos trabalhadores e trabalhadoras. Esses personagens compõem o movimento denominado Maxambomba Popular, expressão literária que resgata experiências de insurgência e projeta a Baixada como território de enfrentamento ao autoritarismo, à fome e à exclusão social.
Segundo o autor, “a jornada de Miguel é um renascimento: sua dor converte-se em propósito, e o propósito se torna ação. É uma história sobre o direito de sonhar, mesmo em meio ao caos”.
A Baixada como espaço de elaboração crítica
O romance não se limita ao retrato da violência ou ao registro de injustiças sociais. Ao contrário, coloca em cena a identidade cultural, a memória coletiva e a potência criativa da Baixada Fluminense. Ao rebatizar a região como Maxambomba Popular, Bahia cria uma geografia simbólica que desafia as narrativas oficiais e evidencia a força da resistência popular.
A obra apresenta um quadro da radicalização do Estado burguês, da cassação de direitos trabalhistas e da fome que atinge os mais pobres. Nesse contexto, a guerrilha surge não como recurso retórico, mas como metáfora e necessidade histórica diante do avanço do fascismo e da repressão armada. Trata-se de um romance político e social que se propõe a “recontar o Brasil de fato, sem romances hedonistas, sonhadores ou distantes da realidade”.
Assim, Maxambomba Popular afirma a Baixada como espaço de produção de conhecimento, de resistência cultural e de elaboração de futuros, rompendo com estigmas e reafirmando sua centralidade no imaginário político do país.
Com este lançamento, Rafael Bahia consolida-se como uma das vozes da literatura periférica brasileira, unindo rigor estético, compromisso político e protagonismo territorial. Sua escrita, marcada pelo diálogo com a Baixada Fluminense, amplia as fronteiras da narrativa nacional ao colocar no centro os sujeitos e as histórias frequentemente marginalizados pela tradição oficial.
Instagram do autor: @bahia_021
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