Há exatamente um ano, um forte temporal inundou diversas áreas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, causando destruição e deixando 12 mortos. Em dois dias, algumas cidades registraram o volume de chuva esperado para todo o mês de janeiro. Milhares de famílias ficaram desabrigadas.
O Rio Acari, que corta sete bairros da Zona Norte e transbordou na ocasião, segue acumulando lixo e vegetação. Um projeto de construção de bolsões de contenção, prometido pela prefeitura, não saiu do papel, deixando a população vulnerável.
Especialistas, como o engenheiro Antonio Krishnamurti, da Coppe/UFRJ, alertam que a sedimentação do rio e a impermeabilização urbana agravam os problemas.
“Sem manutenção e com o rio estrangulado, as chuvas rapidamente resultam em enchentes”, explicou.
Outro ponto crítico é o Rio Pavuna, que também transbordou no temporal passado, inundando casas e arrastando carros. Eduardo Paes, prefeito do Rio, anunciou que os recursos do Novo PAC, totalizando R$ 350 milhões, serão usados para priorizar obras nas bacias do Acari, Jardim Maravilha e Realengo.
“Esperamos ter uma situação melhor em três ou quatro anos”, prometeu.
O sistema de comportas e bombas do Projeto Iguaçu, planejado desde a década de 1990 para conter enchentes, segue sem conclusão. Enquanto isso, moradores vivem na expectativa de dias mais seguros.
As obras de drenagem e controle de enchentes na Baixada Fluminense, iniciadas nos anos 2000 com recursos federais, permanecem inacabadas. Auditorias dos Tribunais de Contas identificaram irregularidades no uso dos recursos, e as estruturas concluídas carecem de manutenção adequada ao longo dos anos.
Em Belford Roxo, das cinco bombas destinadas a conter enchentes, apenas duas estavam em funcionamento durante a inundação do ano passado. O vice-governador Thiago Pampolha, então secretário estadual de Meio Ambiente, prometeu resolver a questão. “A recuperação de todo o sistema de bombas é fundamental”, declarou dias após o desastre de 2024. Ele garantiu que as obras e a manutenção começariam ainda em fevereiro daquele ano. Quatro das cinco bombas estão operacionais, apesar do progresso, especialistas alertam que o funcionamento das bombas, por si só, não é suficiente para evitar alagamentos.
No ano passado, o governo do estado anunciou a retomada do Projeto Iguaçu, com um investimento de R$ 160 milhões do Novo PAC. Os recursos serão usados para obras de drenagem e recuperação de trechos de rios como o Botas, Iguaçu e Sarapuí. Há operários trabalhando nas margens do Rio Botas, sinalizando o início das intervenções, mas os desafios para conter as enchentes na região continuam.
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