O assassinato de Gabriel Pereira dos Santos, ocorrido em 16 de agosto de 2024, completa um ano neste mês sem que haja responsabilizações concretas. A tragédia, marcada por fortes indícios de abuso de autoridade e uso desproporcional da força policial, ainda provoca dor e revolta na família e na comunidade de Tinguá, em Nova Iguaçu.
Na manhã do crime, Gabriel havia deixado sua noiva no trabalho, em Vila de Cava, e seguia de volta para casa em sua motocicleta, no bairro Tinguá. No trajeto, foi abordado por dois policiais militares. De acordo com relatos e registros do inquérito, um deles — o terceiro-sargento Allan Mendes Rocha — estava posicionado no meio da estrada, com arma em punho, e disparou contra Gabriel pelas costas.
A vítima, que usava fones de ouvido no momento, caiu cerca de 20 metros à frente e morreu no local. Testemunhas confirmaram que não houve reação ou ameaça por parte de Gabriel que justificasse o disparo letal, o que posteriormente foi constatado por um vídeo divulgado nos canais da ComCausa. Ainda assim, mesmo diante de evidências e depoimentos, o caso segue sem avanço significativo e sem responsabilização dos envolvidos.
Mobilização pela memória e pela justiça
A dor da perda se transformou em mobilização. Familiares, amigos, motociclistas e moradores da região têm promovido ações públicas para manter viva a memória de Gabriel e cobrar respostas das autoridades. Neste mês, atos simbólicos e manifestações estão sendo organizados para marcar a data e denunciar a impunidade que ainda paira sobre o caso.
A ComCausa – Defesa da Vida está acompanhando de perto a situação. Por meio do projeto Acolher, a entidade vem orientando juridicamente os familiares, articulando apoio e reunindo informações. Reuniões já vêm ocorrendo com a família para planejar atividades públicas e estratégias de pressão institucional.
Segundo Adriano Dias, coordenador da ComCausa, a luta vai além de um caso isolado: “O que aconteceu com Gabriel é reflexo de uma violência estrutural que atinge de forma desproporcional as periferias e a população negra. Nossa atuação é para garantir que essa história não seja esquecida e que o Estado dê respostas concretas, como é seu dever.”
Um caso que expõe um problema maior
O episódio reacende o debate sobre a letalidade policial no estado do Rio de Janeiro e sobre a necessidade urgente de protocolos claros para o uso da força. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que a Baixada Fluminense concentra parte significativa das mortes resultantes de intervenção policial, evidenciando uma crise de segurança pública que, muitas vezes, atinge inocentes.
Para os familiares, a ausência de responsabilização aprofunda o sentimento de injustiça: “Não é só sobre o Gabriel. É sobre todas as famílias que enterram seus filhos e não têm resposta. Queremos justiça para ele e para todos que se foram dessa forma”, declarou um dos parentes durante uma das reuniões organizadas pela ComCausa.
O ato principal em memória de Gabriel está previsto para acontecer nos próximos dias, reunindo familiares, amigos, lideranças comunitárias e organizações de direitos humanos. O objetivo é reforçar o pedido por justiça, manter a história viva e exigir que o Estado se posicione de forma efetiva.
Relembre o caso
Na sexta-feira de 16 de agosto de 2024, a cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foi palco de intensas manifestações após a morte trágica de Gabriel Pereira dos Santos, um jovem de 24 anos. O incidente, que envolveu um policial do Programa Segurança Presente, levantou questionamentos e gerou comoção entre a população local.
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