Em 1921, no dia 5 de junho, nascia Zuleika de Souza Netto, Zuzu Angel. Uma das mais brilhantes estilistas de moda, teve sua vida marcada na busca pelo seu filho Stuart Angel, sequestrado pela ditadura militar, se tornou um desaparecido político.
Essa procura ficou conhecida internacionalmente, principalmente por enfrentar as autoridades da ditadura militar, criando uma coleção estampada com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos. O anjo, ferido e amordaçado em suas estampas, tornou-se também o símbolo do filho. incomodando assim o alto escalão da ditadura militar brasileira. Chegando a fazer um desfile no consulado brasileiro em Nova York. Dessa forma seu protesto e luta tomavam as manchetes internacionais.
Durante anos ela entregava dossiês sobre a morte do filho a americanos que visitavam o Brasil, como o general , então secretário de estado norte-americano, seu caso acabou chegando ao Senado dos Estados Unidos através de um discurso do senador Edward Kennedy, a quem Zuzu fez chegar a denúncia da morte do filho. Um dos episódios marcantes que ficou conhecido, ela tomou o microfone de uma aeromoça e avisou que “que desceriam no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, Brasil, país onde se torturavam e matavam jovens estudantes”.
O corpo de Stuart Angel nunca foi encontrado, e o governo militar espalhava cartazes com seu rosto escrito procurado. Essa busca só terminou com sua morte, quando seu carro capotou no túnel que hoje leva seu nome, “Túnel Zuzu Angel”. Dias antes ela entrega a Chico Buarque que deveria ser publicado caso lhe acontecesse algo, que dizia “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.
Em 1998 a Comissão Especial dos Desaparecidos políticos reconheceu que Zuzu morreu de maneira não natural, em 2007 a comissão inseriu depoimento de duas pessoas que afirmam ter visto o carro de Zuzu Angel ter sido fechado e atirado de uma altura de 5 metros. Em 2013 o vazamento do WikiLeaks com documentos americanos mostraram que trechos em citava o atentado à estilista, com uma “hipótese de acidente não seja estranha”. Em 2014 o ex-agente do Dops Cláudio Antônio Guerra escreveu o livro Memórias de uma Guerra Suja, no qual relata diversos crimes dos quais participou e fornece detalhes de fatos históricos daquela época que incluem o Atentado do Riocentro, a morte de Zuzu Angel.
Em 2019, sua filha Hildegard Angel se dirigiu ao 8.º cartório do Registro Civil da Tijuca, com um mandado judicial, e conseguiu finalmente emitir as certidões de óbito de sua mãe, Zuleika, e de seu irmão, Stuart. As causas das mortes foram atestadas como “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.
Escola estadual no Rio recebe nome de Stuart Angel
A memória de Stuart Edgar Angel Jones, militante político morto durante a ditadura militar, ganhou uma nova homenagem no Rio de Janeiro. Em 2 de fevereiro de 2013, uma escola estadual em Senador Camará, na Zona Oeste, foi inaugurada com o nome de Stuart Angel, reunindo familiares, amigos, ex-militantes e representantes de organizações de direitos humanos.
Stuart já havia sido o primeiro preso político a dar nome a um logradouro público. Com a nova homenagem, sua trajetória também passa a estar presente no cotidiano de estudantes da rede estadual, em uma iniciativa voltada à preservação da memória e à valorização da democracia.
A proposta de dar o nome de Stuart Angel à escola partiu de José Carlos Jesus Abreu, então com 65 anos, que militou ao lado dele. Ao perceber a construção da unidade, José Carlos procurou a associação de moradores, apresentou a sugestão e ajudou a recolher assinaturas para viabilizar a homenagem.
Cerca de cem pessoas acompanharam a inauguração, entre amigos da família Angel, antigos militantes de esquerda e representantes de entidades ligadas à defesa dos direitos humanos.
O Centro de Referência de Direitos Humanos da ComCausa também participou da cerimônia. A entidade foi representada pelo diretor Adriano Dias e pela coordenadora Jaqueline Franklin.
A presença da ComCausa reforçou o compromisso da organização com a memória das vítimas da ditadura, a defesa da vida e a promoção dos direitos humanos.
Durante o evento, a então deputada Cidinha Campos destacou a força de Zuzu Angel na busca por justiça: “Uma mulher que se negou a vida inteira de aceitar o destino de seu filho”.
A homenagem em Senador Camará transformou a história de Stuart Angel em referência para novas gerações e reafirmou a importância de manter viva a memória sobre violações cometidas pelo Estado brasileiro durante o período autoritário.
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