O tenente reformado da Polícia Militar Carlos Alberto de Jesus se tornou réu na Justiça do Rio de Janeiro por tentativa de homicídio duplamente qualificado, após atirar contra o universitário Igor Melo de Carvalho, de 19 anos, e o mototaxista Thiago Marques Gonçalves, em 24 de fevereiro deste ano, na Penha, zona norte da capital. A denúncia foi aceita pela juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, da 2ª Vara Criminal da Capital, mesmo sem a prisão preventiva do acusado, que responderá ao processo em liberdade.
Na madrugada do crime, Igor retornava do trabalho em uma casa de samba quando solicitou uma corrida por aplicativo. Ele embarcou na moto conduzida por Thiago e, durante o trajeto, ambos foram perseguidos por Carlos Alberto, que efetuou diversos disparos ao confundi-los com suspeitos de roubar o celular de sua esposa, Josilene da Silva Souza. Igor foi atingido pelas costas e levado em estado grave ao hospital, onde precisou retirar um rim. Thiago também ficou ferido.
Apesar da gravidade da ação e das provas reunidas — como laudos periciais e imagens de câmeras de segurança — a juíza decidiu não decretar a prisão imediata de Carlos Alberto. Alegou que aguardaria a inclusão da folha de antecedentes criminais no processo. O Ministério Público, por sua vez, enfatizou a periculosidade da ação e o risco de impunidade, reiterando o pedido de prisão.
Josilene, esposa do PM, também foi denunciada por falso testemunho. Inicialmente, ela afirmou ter sido roubada por dois homens em uma moto, mas depois entrou em contradição. Investigações mostraram que não houve roubo, levando ao arquivamento das acusações contra Igor e Thiago.
O caso gerou revolta nas redes sociais e mobilizou defensores de direitos humanos, que cobram punição exemplar e políticas de prevenção à violência policial. Organizações como a ComCausa destacam a importância da responsabilização de agentes públicos, mesmo após sua aposentadoria, reforçando a defesa da vida e da justiça para as vítimas.
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