A SuperVia se despede da concessão dos trens urbanos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro em setembro de 2025 deixando para trás um sistema mais precário do que quando assumiu, em 1998. Prometendo modernização e crescimento, a empresa encerrará suas atividades com composições mais lentas, superlotadas e com infraestrutura deteriorada. A média de passageiros, que deveria ter chegado a 2 milhões por dia, permaneceu estagnada em 300 mil — o mesmo número de quase três décadas atrás.
Dados obtidos junto à Agetransp revelam que em 2024 foram registradas quase 5 mil interrupções ou cancelamentos de viagens por falhas não justificadas, média de 13 por dia. A reportagem percorreu cinco ramais e constatou superlotação, defeitos, viagens interrompidas e composições rodando com portas abertas.
Além da lentidão, o cenário é de abandono. Em Japeri, 79 trens das décadas de 70 e 80, inservíveis, acumulam ferrugem e se tornaram abrigo para usuários de drogas. Em Deodoro, outros 113 vagões antigos aguardam leilão, penhorados desde uma ação judicial de 1997. A presença desses vagões gera medo entre moradores da região.
O tempo de viagem aumentou significativamente. Em 1998, o trajeto Central–Santa Cruz durava 75 minutos; hoje são 98. No ramal Japeri, a diferença é ainda maior: de 75 para 103 minutos. O presidente do Sindicato dos Maquinistas, Valmir de Lemos, explica que a lentidão se deve ao estado precário dos trilhos e dormentes, com trechos obrigando os trens a circularem a apenas 40 km/h.
O engenheiro ferroviário Hélio Suevo aponta também falhas na sinalização e aumento de furtos de cabos como fatores que agravam a situação. Embora a SuperVia alegue que substituiu mais de 45 mil dormentes e 402 toneladas de trilhos nos últimos 18 meses, admite ter reduzido partidas e intervalos por conta da pandemia e de perdas financeiras.
Agora, cabe ao governo do Estado do Rio decidir quem assumirá a gestão do sistema e qual será o novo modelo de concessão. A esperança dos passageiros é de que a próxima empresa consiga cumprir o que a SuperVia prometeu e não entregou: transporte ferroviário digno, eficiente e seguro.
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