Cinco jovens foram presos por envolvimento em uma rede nacional que promovia estupros virtuais e torturas psicológicas e físicas contra adolescentes, com transmissões ao vivo realizadas em plataformas digitais. A operação foi conduzida pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Duque de Caxias e revelou uma estrutura de aliciamento emocional seguida de violência extrema e exposição pública das vítimas.
Segundo a Polícia Civil do Rio, o grupo abordava meninas em aplicativos de namoro e, com discursos românticos, convencia-as a enviar imagens íntimas. Após conquistar a confiança, os criminosos impunham uma série de “desafios” — em que as vítimas, em sua maioria adolescentes, eram forçadas a se mutilar, exibir os ferimentos em lives e até escrever o nome dos agressores no corpo. Em alguns casos, foram coagidas a matar seus animais de estimação.
— Queriam que essas meninas fossem submetidas a intenso sofrimento físico e psicológico. O nível de crueldade é absurdo — afirmou a delegada Fernanda Fernandes.
Entre os presos estão Pedro Henrique Lourenço (Faithful), militar da Aeronáutica, e Vitor Bruno Tavares (Elhaz), ambos de 20 anos. Os demais foram capturados em Goiás, São Paulo e Piauí. A operação também cumpriu 32 mandados de busca e apreensão em nove estados. Em dispositivos e servidores, a polícia encontrou mais de 200 mil arquivos de conteúdo pornográfico, imagens de mutilação e violência.
A investigação revelou ainda que, mesmo após as vítimas obedecerem, os criminosos criavam novos grupos para continuar divulgando dados pessoais e humilhando publicamente as adolescentes.
— O perigo está dentro de casa, no celular. Pais precisam monitorar o que seus filhos fazem nas redes. É nosso dever proteger essas meninas e dar um basta à impunidade — reforçou a delegada.
O grupo atuava principalmente via Discord, plataforma que afirmou, em nota, colaborar com autoridades brasileiras e investir em sistemas de segurança e denúncias proativas. A empresa disse que remove conteúdos ilegais e tem ajudado a impedir crimes antes que ocorram.
A delegada defendeu, ainda, o debate sobre regulação urgente das plataformas digitais:
— Não é possível que uma live com mutilações seja criada, assistida e até monetizada sem controle. Isso precisa mudar.
Os envolvidos vão responder por estupro virtual, tortura, associação criminosa, exposição indevida e outros crimes previstos no Código Penal e no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). A investigação continua, e novas vítimas estão sendo identificadas.
Se você ou alguém que conhece é vítima de violência digital, denuncie. A internet não pode ser espaço para o crime.
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