Morre Mino Carta referência do jornalismo brasileiro e fundador da CartaCapital

Mino Carta

O Brasil perdeu nesta terça-feira, 2 de setembro, um dos nomes mais influentes da sua história jornalística. Mino Carta, fundador das revistas Veja, IstoÉ e CartaCapital, morreu aos 91 anos em São Paulo, após complicações de saúde. Ele estava internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês havia duas semanas. A causa da morte não foi divulgada.

Natural de Gênova, na Itália, Mino imigrou com a família para São Paulo em 1946. Desde jovem, manteve viva a tradição jornalística herdada do avô e do pai, ambos jornalistas. Com uma carreira que atravessou mais de seis décadas, foi responsável por fundar ou liderar alguns dos veículos mais relevantes da imprensa brasileira, marcando gerações com seu estilo crítico, ousado e combativo.

Um arquiteto da imprensa moderna

A trajetória de Mino Carta é inseparável da transformação do jornalismo brasileiro no século XX. Seu primeiro grande projeto foi a revista Quatro Rodas, em 1960, a convite de Victor Civita, da Editora Abril. Em seguida, participou da fundação da Veja (1968), criou o inovador Jornal da Tarde (1966), fundou a IstoÉ (1976) e, já nos anos 1990, lançou a CartaCapital (1994), publicação que dirigiu até seus últimos dias e que se tornou referência de jornalismo político com posicionamento editorial assumido e crítico.

Mino também foi o idealizador do Jornal da República, ao lado de Cláudio Abramo, um projeto interrompido por dificuldades financeiras, mas lembrado por seu valor editorial.

Mesmo sem concluir o ensino superior, foi reconhecido academicamente com o título de doutor honoris causa pela Faculdade Cásper Líbero. Recebeu diversos prêmios, entre eles o de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano, concedido pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira (ACIE) em 2006.

Legado pessoal e político

Mino Carta foi casado com Maria Angélica Pressoto, falecida em 1996, e teve dois filhos. O jornalista Gianni Carta, que seguiu os passos do pai, morreu em 2019, vítima de câncer. Mino deixa a filha Manuela Carta.

Homem de ideias fortes, também se expressava pelas artes plásticas e pela ficção literária, tendo publicado romances e realizado exposições de pintura.

Nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amigo pessoal de Mino, lamentou a morte e decretou três dias de luto oficial em todo o país. “O Brasil perde um dos maiores nomes da história do nosso jornalismo, e eu, um amigo leal e generoso”, escreveu o presidente.

Mino Carta deixa um legado profundo de compromisso com a verdade, com o pensamento crítico e com o papel transformador da imprensa. Em tempos de desinformação, sua trajetória reafirma o valor do jornalismo como instrumento de Defesa da vida, da democracia e da liberdade de expressão.

O jornalista que nunca se calou

Ao longo de sua trajetória, Mino Carta mostrou que, mesmo sob censura e repressão, o jornalismo podia ser ferramenta de denúncia, resistência e memória. Seu legado ultrapassa as páginas das publicações que dirigiu: é a lembrança de que a liberdade de imprensa é condição essencial para a democracia e que, sem vozes críticas, a sociedade corre o risco de reviver os fantasmas da opressão.

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