O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro absolveu nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria das acusações de homicídio contra o adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, morto em uma operação na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, em 2023. Os dois também foram absolvidos da acusação de tentativa de homicídio contra Marcos Vinícius de Souza Queiroz, que conduzia a moto onde Thiago estava. A sentença foi lida pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto, do 2º Tribunal do Júri, após decisão do conselho de sentença.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), os policiais — à época no Batalhão de Choque — participaram de uma ação conhecida como “operação Tróia” usando um carro particular. Ambos admitiram ter disparado. A versão apresentada pelos agentes foi de que Thiago estaria armado e teria atirado contra eles; a defesa sustentou legítima defesa.
Além das acusações analisadas no júri, os PMs ainda respondem por fraude processual, de acordo com a reportagem. O texto não informa, até o ponto em que você trouxe, data de julgamento desse outro crime.
Depoimentos e provas discutidas no plenário
Durante os dois dias de julgamento, foram ouvidos Marcos Vinícius (sobrevivente), a mãe do adolescente, Priscilla Menezes, vizinhos e amigos de Thiago, um policial que estava no carro particular usado na ação e o comandante da operação, entre outras testemunhas.
Marcos Vinícius afirmou em plenário que nunca viu Thiago armado e que o adolescente não portava arma no dia em que foi morto. Ele relatou que os dois caíram da moto e, ao tentar levantar o veículo, foram surpreendidos por um carro descaracterizado; de dentro dele, ocupantes teriam descido atirando.
A reportagem também descreve pontos de investigação: Thiago teria sido atingido por três tiros (um na parte traseira da perna, um nas costas e outro que perfurou as duas canelas). O assistente de acusação da família, defensor Pedro Cariello, destacou que houve tiro pelas costas, com base em informações atribuídas à necrópsia e a apurações da Delegacia de Homicídios e do Ministério Público.
Fotos e áudios atribuídos ao adolescente
Um dos momentos mais sensíveis do júri envolveu material encontrado no celular de Thiago. Priscilla Menezes disse ter sido surpreendida ao saber que a perícia encontrou fotos de um menor armado no aparelho. Segundo a reportagem, ela afirmou não reconhecer o filho em algumas imagens e, em outra, disse que “parece o Thiago”, mas declarou não saber o que ele segurava.
A defesa também apresentou áudios atribuídos ao adolescente, nos quais ele falaria que trabalhava para um traficante conhecido da região e aceitaria montar uma “boca de fumo” em resposta a um amigo.
Recursos particulares na operação e questionamentos sobre registros
Depoimentos citados na reportagem indicaram uso de recursos particulares por policiais na operação, incluindo o veículo e um drone. Um policial ouvido afirmou que a corporação “nunca teve drone de uso oficial” e que o equipamento já havia sido empregado em outras ações.
Um comerciante próximo ao local, Michel da Silva, disse que policiais tentaram mexer em uma câmera de segurança instalada em sua borracharia e que, em determinado momento, o enquadramento deixou de registrar a posição onde o adolescente estava caído.
Reação da Anistia Internacional e crítica ao “deslocamento do foco”
Após a absolvição, a Anistia Internacional Brasil divulgou nota de “indignação”. A entidade afirmou que, no júri, houve “tentativas reiteradas de questionar a vida e a memória de Thiago” e que isso teria desviado o foco da análise da conduta dos acusados, transformando a vítima em alvo de julgamento.
A organização também relacionou o caso a um padrão mais amplo de mortes por intervenção policial no Brasil. Na nota reproduzida pela reportagem, a Anistia citou dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP): entre 2015 e agosto de 2025, ao menos 56.396 pessoas teriam sido mortas em ocorrências classificadas como homicídios por intervenção policial; 82,7% seriam negras e 71,7% jovens.
Contexto e próximos passos
A decisão do júri encerra a etapa do julgamento popular desses dois réus, mas não elimina o debate público sobre letalidade policial, transparência de operações e responsabilização quando há morte em ações do Estado — especialmente em territórios periféricos.
A reportagem informa que, dos quatro policiais que participaram da operação, apenas dois foram levados a júri; a Justiça teria entendido que não havia elementos suficientes para que os outros dois fossem julgados pelo Tribunal do Júri, segundo a nota da Anistia.
Em casos como este, é comum que acusação e assistentes avaliem medidas judiciais cabíveis, como recursos, mas o material enviado não traz informação sobre eventual recurso já apresentado após a absolvição.
Protestos e adiamento anterior
Antes do julgamento, familiares e movimentos contra a violência policial protestaram em frente ao Tribunal de Justiça, no Centro do Rio. O júri havia sido marcado inicialmente para 27 de janeiro, mas foi adiado após divergências envolvendo uma prova apresentada pela Defensoria Pública.
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