O Carnaval 2026 deve ter reforço de ações de prevenção e resposta ao assédio e a outras formas de violência contra mulheres em diferentes estados e cidades do país. A estratégia combina campanhas educativas, ampliação de canais de denúncia e redes de acolhimento em áreas de grande circulação de foliões.
A preocupação cresce porque o Carnaval costuma reunir grandes multidões, com consumo de álcool e deslocamentos intensos, o que pode aumentar situações de vulnerabilidade e dificultar a denúncia imediata. Especialistas e órgãos de atendimento alertam que importunação sexual e outras violências são crimes e não “brincadeira” de festa.
O que está em jogo
A legislação brasileira prevê punição para importunação sexual, crime que ocorre quando alguém pratica ato libidinoso sem consentimento para satisfazer desejo próprio ou de terceiros. Além disso, violência doméstica e familiar tem proteção específica, com medidas previstas na Lei Maria da Penha, que também orienta redes de acolhimento e proteção.
Na prática, o combate ao assédio no Carnaval depende de três frentes: prevenção (campanhas e comunicação clara), resposta rápida (segurança e equipes treinadas) e acolhimento (atendimento humanizado, proteção e encaminhamento).
Como denunciar e buscar ajuda
Mesmo sem um aplicativo local, há caminhos nacionais que funcionam em todo o Brasil:
- Ligue 190 em situações de emergência e risco imediato.
- Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) para orientação, registro e encaminhamentos.
- Procure delegacias e, quando houver, unidades especializadas (como Delegacias da Mulher) e serviços municipais/estaduais de atendimento.
- Se estiver em bloco, show ou área de festa, busque apoio de equipes identificadas de segurança, saúde, assistência social ou pontos de acolhimento.
Falhas e responsabilidades
Organizadores de eventos e poder público têm responsabilidade direta na prevenção, no ordenamento e na proteção de quem participa da festa. Isso inclui iluminação adequada, rotas seguras, presença de equipes treinadas, divulgação de canais de denúncia e garantia de atendimento sem revitimização.
Quando há subnotificação, falta de estrutura ou atendimento inadequado, o resultado costuma ser duplo: a vítima fica desamparada e o agressor se sente impune. Por isso, o reforço de políticas públicas e a integração entre segurança, saúde e assistência social são decisivos para reduzir ocorrências e ampliar a responsabilização.
O que fazer se você sofrer ou presenciar assédio
- Afaste-se do agressor e vá para um local iluminado e movimentado.
- Peça ajuda a seguranças, equipes do evento ou pessoas de confiança.
- Se possível, anote características do agressor, horário e local.
- Procure atendimento e registre ocorrência quando estiver segura.
- Se houver ferimentos ou risco de violência sexual, busque atendimento de saúde o quanto antes.
Campanha da ComCausa mira masculinidades positivas
Neste Carnaval, a ComCausa lançou uma campanha voltada à promoção de masculinidades positivas e à prevenção de violências contra mulheres, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas. A iniciativa busca engajar homens como aliados ativos no enfrentamento do assédio, apontado como problema recorrente durante a maior festa popular do país.
Com o lema “Ser aliado faz Carnaval seguro”, a campanha chama atenção para a responsabilidade coletiva dos homens, especialmente no enfrentamento de comportamentos violentos praticados por outros homens. A proposta é transformar padrões de masculinidade historicamente associados à coerção, à agressividade e à exclusão, substituindo-os por atitudes de cuidado, respeito e corresponsabilidade.
ComCausa – Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida
a ComCausa – Defesa da Vida, com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU), estrutura o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida como um caminho comunitário: rodas de conversa orientadas, pactos de convivência, ferramentas práticas de maturidade emocional e mobilização pública para transformar autocontrole em proteção real, dentro e fora de casa.
Este artigo integra o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, estruturado pela ComCausa – Defesa da Vida com apoio do UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU). A proposta enfrenta padrões de masculinidade associados a conflitos familiares e violências cotidianas, com foco em atitudes práticas: autocontrole, convivência pacífica, respeito, corresponsabilidade e cuidado.
Parceria UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas (ONU):
Serviço
Emergência: 190
Central de Atendimento à Mulher: 180
Em caso de risco à vida, procure imediatamente um posto de saúde/UPA/hospital e acione a polícia.
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