Jogos populares entre crianças e adolescentes, como Roblox e Free Fire, têm sido usados por adultos para práticas de aliciamento sexual infantil, conhecidas como grooming. O alerta é feito por organizações de proteção digital e especialistas em segurança online, que destacam que a violência muitas vezes começa de forma silenciosa, por meio de conversas aparentemente inofensivas dentro dos próprios jogos.
Essas plataformas permitem comunicação direta entre usuários, inclusive por chat de texto e voz. A partir daí, abusadores constroem vínculos de confiança, oferecem vantagens no jogo, elogios ou “amizade” e, gradualmente, passam a introduzir conteúdos impróprios ou pedidos abusivos — muitas vezes sem que pais ou responsáveis percebam.
Grooming acontece quando ninguém está olhando
Segundo especialistas, “ficar de olho” não é suficiente. A maioria das abordagens ocorre em momentos em que adultos não estão próximos ou quando a criança utiliza celular, tablet ou computador de forma individual.
Dados e alertas recorrentes de entidades como a SaferNet Brasil indicam que o ambiente digital se tornou um dos principais espaços de risco para crianças e adolescentes, justamente pela combinação de anonimato, facilidade de acesso e baixa supervisão.
O grooming é um processo gradual e planejado. Não começa com violência explícita, mas com aproximação, escuta e manipulação emocional, o que torna o crime difícil de identificar em seus estágios iniciais.
Responsabilidade compartilhada e prevenção
Especialistas reforçam que a proteção no ambiente digital exige combinação de diálogo, educação digital e ferramentas de segurança. Conversar com crianças sobre riscos, estabelecer regras claras de uso da internet e acompanhar atividades online são medidas básicas, mas fundamentais.
Também é recomendado que responsáveis conheçam os jogos utilizados, suas configurações de privacidade e os recursos de controle parental disponíveis, além de buscar informações confiáveis sobre segurança digital infantil.
O Marco Legal da Internet (Lei nº 12.965/2014) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecem que a proteção integral também deve se estender ao ambiente virtual, envolvendo famílias, plataformas e o poder público.
Quando desconfiar e onde buscar ajuda
Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo de usar o celular perto de adultos ou conversas secretas podem ser sinais de alerta. Em casos de suspeita, a orientação é registrar denúncia e buscar apoio especializado.
Canais como o Disque 100, a SaferNet Brasil e delegacias especializadas são referências no acolhimento e encaminhamento dessas situações.
Proteger crianças no mundo digital não é paranoia — é cuidado ativo e contínuo.
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