Na noite de quarta-feira, 30 de abril, mais uma tragédia envolvendo jovens negros e periféricos chocou o Rio de Janeiro. Gabriel dos Santos Vieira, de apenas 17 anos, morreu ao ser baleado nas costas enquanto estava na garupa de uma moto de aplicativo a caminho do trabalho, durante uma troca de tiros entre policiais militares e suspeitos no Engenho da Rainha, Zona Norte da cidade. O condutor da moto, Vanderson Ferreira Nascimento Pinto, de 40 anos, também foi atingido por pelo menos três disparos e segue internado.
O caso ocorreu por volta das 22h, na Avenida Adhemar Bebiano, uma das principais vias da região. Gabriel era morador do Complexo do Alemão, trabalhava como assistente de pizzaiolo e também atuava como bailarino. Naquela noite, havia sido contratado para se apresentar em uma festa de debutante em Madureira. Ele chamou uma corrida por mototáxi e embarcou com Vanderson, que trabalhava como motorista de aplicativo à noite para complementar a renda — durante o dia, era funcionário da Comlurb.
Segundo a Polícia Militar, os dois teriam sido atingidos durante uma troca de tiros entre uma equipe da UPP do Alemão e criminosos que estavam em dois carros e dispararam contra os agentes. Já os familiares contestam a versão oficial. “A população esperou a gente chegar e disse que foram os policiais que atiraram no meu sobrinho”, afirmou Léia Rodrigues, tia de Gabriel.
A perícia da Polícia Civil encontrou cinco perfurações de bala nas costas do adolescente. Testemunhas relataram que os disparos teriam partido dos PMs durante a ação. Os bandidos conseguiram fugir, e as armas dos policiais envolvidos foram recolhidas para exame pericial. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso, que se soma à crescente lista de mortes de inocentes em ações policiais no estado.
Ferido por tiros de fuzil, Vanderson chegou a questionar em desespero: “Por que isso aconteceu comigo?”, segundo relato de seu afilhado, Alexander Rocha, que foi o primeiro familiar a chegar ao local.
Casos como o de Gabriel Vieira evidenciam a falência da política de segurança pública baseada em confronto armado em áreas densamente povoadas. A ComCausa, organização que atua em defesa dos direitos humanos na Baixada Fluminense e no Grande Rio, reforça que vidas negras e periféricas continuam sendo tratadas como descartáveis e cobra uma resposta firme do Estado. A campanha Defesa da Vida, iniciativa da ComCausa, reafirma a necessidade urgente de políticas públicas que garantam proteção e dignidade, e não bala, para a juventude trabalhadora.
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