A Polícia Civil vai analisar as imagens das câmeras corporais dos policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Alemão envolvidos na ocorrência que terminou com a morte do adolescente Gabriel dos Santos Vieira, de 17 anos, na noite da última quarta-feira (30), no Engenho da Rainha, Zona Norte do Rio de Janeiro. A versão da PM é que o jovem foi atingido durante um confronto com criminosos. A família nega essa versão e cobra justiça.
Segundo o relato oficial, policiais patrulhavam a Avenida Adhemar Bebiano quando abordaram um carro suspeito. Os ocupantes teriam atirado contra os agentes, que revidaram. Após a troca de tiros, os PMs teriam encontrado Gabriel baleado na garupa de uma moto de aplicativo, ao lado do condutor Vanderson Ferreira Nascimento Pinto, de 40 anos, também atingido por três disparos. Vanderson foi operado no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, e segue internado.
A perícia inicial apontou cinco perfurações de arma de fogo nas costas de Gabriel, que morreu no local. Morador do Complexo do Alemão, ele era auxiliar de pizzaiolo e dançarino de festas de debutante. Naquela noite, estava indo se apresentar em um baile de 15 anos em Madureira. Segundo familiares, ele era um jovem estudioso, trabalhador e muito querido. “O Gabriel representava uma figura incrível na vida de todo mundo”, disse a tia Leia Rodrigues.
A madrinha de Gabriel, Ana Renata Macial da Silva, emocionada, contou que ele faria 18 anos em setembro e que já tinham planejado presenteá-lo com uma carteira de habilitação e uma viagem para Penedo. “Não deu tempo para nada”, lamentou. A tia Sara Rodrigues também relatou que Gabriel sonhava cursar faculdade de dança após terminar o ensino médio. Ele ajudava a mãe em casa e deixou três irmãos.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) recolheu as armas dos policiais para perícia. A PM afirma que os agentes usavam câmeras corporais, e o material já foi entregue à investigação. O caso reacende o debate sobre a letalidade das operações policiais em áreas urbanas e o risco constante que recai sobre jovens negros e periféricos no Rio de Janeiro.
A ComCausa, por meio da campanha Defesa da Vida, acompanha o caso e cobra apuração rigorosa. “Não é admissível que mais uma família periférica enterre seu filho em silêncio, como se fosse rotina. Gabriel tinha um futuro, sonhos e direitos. Precisamos reagir com responsabilidade e humanidade”, declarou Adriano Dias, fundador da instituição.
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