A juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, titular da 1ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, antecipou para o dia 20 de junho de 2024 a realização do novo júri popular do caso Patrícia Amieiro, jovem engenheira desaparecida desde junho de 2008, após ter seu carro atingido por tiros de policiais militares na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A sessão está marcada para as 11 horas.
Na decisão, a magistrada justificou a mudança com base nos pedidos do Ministério Público e da assistência de acusação: “Diante da manifestação ministerial, em pasta 5824, bem como do assistente da acusação, em pasta 5826, antecipo a sessão plenária para o dia 20/06/2024, às 11 horas.” A antecipação foi recebida com esperança pela família da vítima. “Um ano também é muito tempo pra quem espera há 15 anos, mas acreditamos na Justiça. E que agora, realmente aconteça na data marcada, e não seja adiado por manobras da defesa”, afirmou Adryano Amieiro, irmão de Patrícia.
Inicialmente, o julgamento havia sido marcado pela mesma juíza para 24 de julho de 2025, o que gerou forte reação da família. Na época, a magistrada reconheceu que a data estava distante e sinalizou que poderia alterá-la, como agora foi feito. O caso completou 15 anos em 2023 e, em declarações públicas, a mãe de Patrícia reforçou a importância da realização do novo julgamento: “São 15 anos que estamos lutando. Meu marido faleceu antes de ver justiça. Mas eu e a minha família estamos aqui, continuando a lutar. E vamos ter essa justiça. E vamos conseguir essa vitória pela memória da minha filha e do meu marido.”
O desaparecimento de Patrícia ocorreu em 14 de junho de 2008. Segundo o Ministério Público, a engenheira foi assassinada após ter seu carro alvejado por policiais militares enquanto voltava de uma festa na Zona Sul da cidade. O veículo foi encontrado abandonado na beira do Canal de Marapendi, com sinais de colisão, o vidro traseiro quebrado e o porta-malas aberto. O corpo de Patrícia nunca foi localizado. As investigações apontam que os agentes envolvidos teriam removido o corpo e jogado o carro no canal para ocultar o crime. No primeiro julgamento, realizado em 2019, os policiais Marcos Paulo Nogueira Maranhão e William Luís Nascimento foram condenados por fraude processual a três anos de prisão e 60 dias-multa. Os outros dois acusados — Fábio Silveira Santana e Marcos Oliveira — foram absolvidos.
Entretanto, em 2020, o caso foi reaberto após o surgimento de uma nova testemunha, motivando a marcação de um novo júri. Agora, Maranhão e Nascimento serão julgados por tentativa de homicídio, enquanto Fábio Santana e Marcos Oliveira enfrentarão um novo julgamento por fraude processual. O desfecho do novo júri é aguardado com expectativa por familiares, amigos e defensores dos direitos humanos, que há anos acompanham o caso como símbolo da impunidade em crimes envolvendo agentes do Estado.
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