O Clube do Livro Stelium promoveu uma discussão aprofundada sobre Ecos da Floresta, suspense policial da escritora norte-americana Liz Moore, e a obra terminou não dividindo opiniões entre os participantes. Apesar do reconhecimento internacional recebido pelo livro em 2024, o grupo avaliou a experiência de leitura com nota 4,5 de 10, destacando problemas estruturais, ritmo lento e dificuldades de envolvimento emocional com a narrativa.
Durante o encontro, leitores e leitoras apontaram como principal problema os frequentes saltos temporais utilizados pela autora. Segundo os participantes, as mudanças constantes entre períodos diferentes acabam tornando a narrativa confusa em diversos momentos, exigindo atenção contínua para acompanhar os acontecimentos e prejudicando a fluidez do suspense.
Outro ponto amplamente debatido foi o ritmo considerado lento para um thriller policial. Para parte do grupo, a construção detalhada do universo e das relações familiares acaba se sobrepondo à tensão investigativa, criando uma sensação de demora excessiva no desenvolvimento da trama. A crítica mais recorrente foi a de que o livro leva muito tempo para entregar respostas e criar impacto narrativo.
Mesmo com as ressalvas, alguns personagens receberam avaliações positivas dos participantes. Entre os nomes mais citados está Judyta Luptack, investigadora da polícia estadual responsável por conduzir parte da investigação central da história. Os leitores destacaram a personagem pela postura observadora, persistente e humana, especialmente em meio às pressões políticas e sociais presentes no enredo.
Louise Donnadieu também apareceu entre as figuras mais elogiadas do romance. Para os integrantes do clube, as personagens femininas acabam sendo o principal elemento de sustentação emocional da obra, oferecendo maior profundidade psicológica em comparação com outros personagens do livro.
A discussão também destacou que Ecos da Floresta se diferencia de parte dos thrillers contemporâneos por priorizar questões sociais e familiares em vez de apenas ação e investigação criminal. O romance aborda temas como desigualdade social, violência contra mulheres, repressão feminina e os mecanismos de preservação de privilégios das elites econômicas.
Segundo os leitores, o livro retrata de forma dura a condição das mulheres nas décadas de 1980, período em que a narrativa é parcialmente ambientada. O debate levantou como a pressão social, o silenciamento feminino e a manutenção das aparências funcionam como instrumentos de poder dentro da trama.
Os participantes também chamaram atenção para a forma como a família Van Laar simboliza estruturas tradicionais de riqueza e influência. Ao longo da história, os segredos familiares revelam relações marcadas por manipulação, desigualdade e proteção de interesses privados, mesmo quando isso resulta em injustiças graves ou na destruição da vida de inocentes.
Entre os pontos positivos mais destacados pelo grupo está justamente a crítica social construída por Liz Moore. A obra foi considerada eficiente ao mostrar como dinheiro, prestígio e poder político podem interferir diretamente em investigações, relações humanas e decisões institucionais.
As personagens Alice, Barbara e Judyta foram apontadas como fundamentais para a força dramática do romance. Para o clube, elas representam diferentes formas de enfrentamento diante da violência, do abandono emocional e das estruturas patriarcais presentes na narrativa.
Apesar das críticas ao desenvolvimento, o encerramento do livro recebeu avaliação mais favorável. O final foi descrito pelos leitores como surpreendente e pouco convencional dentro do gênero policial, oferecendo uma reviravolta capaz de ressignificar parte dos acontecimentos anteriores. Para alguns participantes, a conclusão acaba recompensando parcialmente a leitura até as últimas páginas.
Publicado originalmente com o título The God of the Woods, o romance ganhou destaque internacional em 2024 e foi incluído em listas de melhores livros do ano no segmento de suspense e ficção criminal. A obra também foi apontada entre os títulos mais comentados do gênero literário e teve adaptação para série anunciada pela Netflix.
O reconhecimento da crítica internacional, no entanto, não impediu que o Clube do Livro Stelium mantivesse uma avaliação dividida sobre o romance. A percepção predominante no debate foi a de que Ecos da Floresta apresenta temas relevantes, personagens femininas fortes e uma crítica social consistente, mas perde impacto por escolhas narrativas consideradas excessivamente lentas e fragmentadas.
Nesse mês o Clube do Livro vai ler Relatos de um gato viajante de
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