Solenidade de Entrega das Certidões de Óbito Retificadas reforça dignidade das vítimas de desaparecimento forçado

Ditadura, Golpe, exposição, ComCausa

Nesta quinta-feira, foi realizada a I Solenidade de Entrega das Certidões de Óbito retificadas de vítimas do Estado brasileiro, em um marco simbólico e jurídico de grande importância para os direitos humanos e a memória histórica nacional. A cerimônia, transmitida ao vivo, reuniu familiares, representantes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), autoridades do Poder Judiciário, movimentos sociais e entidades que lutam contra os desaparecimentos forçados.

A entrega das certidões retificadas é parte de um esforço de reparação promovido pelo Projeto Direito à Memória e à Verdade, que tem como objetivo reconhecer oficialmente a responsabilidade do Estado por mortes e desaparecimentos ocorridos durante o regime militar. O documento retificado substitui a antiga versão que omitia ou deturpava a real causa da morte — muitas vezes registrada como “desaparecimento” ou “morte natural” — agora identificando, com base em investigações e comissões da verdade, que se tratou de morte decorrente de graves violações de direitos humanos.

Reparação simbólica e prática

Durante a solenidade, familiares receberam das mãos das autoridades as novas certidões, em um gesto de reparação simbólica, mas que também tem efeitos práticos — permitindo, por exemplo, que as famílias acessem direitos previdenciários e deem fim à condição legal de incerteza sobre seus entes queridos. A ação marca um avanço no compromisso do Estado brasileiro com os princípios internacionais de justiça transicional, que envolvem o direito à verdade, à memória, à justiça e à reparação.

Marco para outras lutas

Além do reconhecimento individual de cada caso, o ato também contribui para dar visibilidade à luta de milhares de famílias que ainda buscam respostas — seja no contexto da ditadura militar, seja nas múltiplas realidades de desaparecimentos contemporâneos, incluindo desaparecimentos forçados, conflitos armados urbanos, violência institucional, tráfico de pessoas e negligência do Estado.

A ComCausa, que acompanha a luta por justiça para as vítimas de desaparecimento forçado e atua no apoio a famílias por meio do projeto Acolher: Desaparecidos, saudou a realização do evento como “um passo necessário na construção de um Brasil que não apaga suas feridas, mas as reconhece para não repeti-las”.

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Movimentos pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas

Por conta do 30 de agosto, Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, está sendo realizada uma grande mobilização que reúne familiares de desaparecidos e desaparecidas, representantes de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, artistas e apoiadores. O objetivo da iniciativa é dar visibilidade às histórias frequentemente apagadas, cobrar políticas públicas efetivas de prevenção e busca, além de fortalecer redes de solidariedade e apoio às famílias que vivem o luto da ausência e a omissão do Estado. A ação também reafirma que memória é resistência e que cada desaparecido tem nome, história e família que não desiste de lutar por respostas.

Além desta, confira as outras atividades:

O que fazer quando alguém desaparece?

Ampliação do debate público e fortalecimento da comunicação social

A ComCausa tem garantido a cobertura comunicacional de suas atividades por meio do PortalC3 e da RedeDH, além das suas redes institucionais (@comcausa.defesadavida, @portalc3.oficial e @acolher.desaparecidos). A produção reúne matérias jornalísticas, registros fotográficos, conteúdos audiovisuais e boletins colaborativos, que fortalecem campanhas permanentes de mobilização social e preservação da memória das vítimas e de suas famílias.

Além da difusão em seus próprios canais, a instituição também articula com a imprensa através do envio de releases e boletins informativos, oferecendo subsídios para jornalistas e veículos comunitários, regionais e nacionais. Essa aproximação amplia o alcance do debate público sobre os desaparecimentos, garantindo visibilidade ética e engajamento social.

Como parte desse esforço, buscou ampliar sua presença na mídia para qualificar o debate público sobre os desaparecimentos no Brasil. No dia 23 de agosto, participou de entrevista especial na Rádio Maranata FM, convocando a sociedade a engajar-se nas mobilizações. A agenda segue em 27 de agosto, com participação no podcast Café Underground. E, em 3 de setembro, estará com a superintendente Jovita Belfort, da Superintendência de Prevenção e Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas da SEASDH, estará no podcast podcast Alemão Ilimitado, aprofundando o debate e fortalecendo as redes de articulação e denúncia.

Imagem de capa ilustrativa

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