Crônicas de Meriti: Está no ar o “2º Giro da Folia de Reis” no Museu Municipal Marinheiro João Cândido

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Está no ar no YouTube o vídeo “2º Giro da Folia de Reis – Museu Municipal Marinheiro João Cândido”, publicado pelo canal Crônicas de Meriti – São João passado limpo, de nosso querido Professor André, O registro marca o retorno recente do canal e coloca no centro da cena uma tradição que não cabe no rótulo de “atração cultural”: a Folia de Reis como território em movimento, fé cantada e comunidade se reconhecendo por dentro.

O que chega ao público, desta vez, não é só um recorte de festa: é um documento audiovisual sobre como a cultura popular ocupa a rua, a ladeira, as casas e as pessoas — com bandeira à frente, instrumentos puxando o passo e um tipo de presença coletiva que não se improvisa. Ao acompanhar o Giro , a câmera não “cobre” um evento; ela testemunha um modo de existir que atravessa gerações e que, quando é filmado e compartilhado, ganha fôlego para continuar.

Um vídeo que vira memória pública

Há um detalhe importante no gesto de publicar esse conteúdo: a Folia de Reis é, por natureza, uma tradição de circulação. Ela se move, visita, atravessa. Quando um canal local registra e coloca no ar esse percurso, ele amplia o alcance do que antes ficava restrito ao “quem viu, viu”. O vídeo vira memória acessível, referência para quem mora longe, ferramenta para quem pesquisa cultura popular, e convite direto para quem ainda não conhece a tradição, mas pode passar a conhecê-la a partir do que vê na tela.

O Crônicas de Meriti se apresenta como plataforma voltada à história, cultura e aspectos da cidade de São João de Meriti, na Baixada Fluminense — e isso aparece no tom do registro: não é “turismo de periferia”, nem olhar de fora. É relato com chão, atenção aos símbolos e respeito ao que o território considera importante.

O coração do Giro: a lembrança viva de Mestre Pedro

O vídeo também se ancora numa dimensão que o público de Meriti sente na pele: a memória de Pedro Alfredo do Carmo, o “Mestre Pedro”, líder da tradicional Folia de Reis “Estrela do Oriente, Deus é Nosso Guia”, mestre de folia associado à tradição local e citado na apresentação do conteúdo como referência que sustentou por décadas a cultura da Folia de Reis no município. Esse ponto não é apenas biográfico. Quando um mestre parte, a comunidade não perde só uma pessoa: perde um método, um ritmo, um modo de ensinar pelo exemplo, uma disciplina afetiva do coletivo. O que o vídeo ajuda a revelar é justamente o contrário da ausência: a tentativa de transformar saudade em continuidade — e de afirmar, em imagem e som, que tradição não é passado; é caminho.

O museu no alto do morro: símbolo que fortalece o encontro

O cenário do registro também diz muito. O Museu Municipal Marinheiro João Cândido, instalado no alto do Morro do Embaixador, na Vila São José, tem sido apresentado como marco cultural da cidade e espaço de preservação de memória e identidade — um lugar que, por si só, já carrega o peso de afirmar dignidade histórica onde tantas vezes houve apagamento.

E quando a Folia gira nesse entorno, a mensagem se multiplica: o museu deixa de ser apenas um equipamento cultural e vira paisagem vivida. A tradição popular conversa com a memória institucional. A rua conversa com o patrimônio. E o Morro do Embaixador aparece não pelo estigma que muitas vezes empurram de fora para dentro, mas pela verdade que se enxerga por dentro: território de história, cultura e convivência.

Entre as presenças, a participação da Folia “Sete Estrelas de N. Sra. do Rosário”, vinda de Mesquita, ampliou o sentido regional do encontro — porque a Folia é ponte: junta municípios, irmana comunidades, costura a Baixada por dentro, onde os mapas oficiais nem sempre alcançam, mas onde a cultura sempre soube abrir caminho.

Por que isso importa para Meriti e para a Baixada

A publicação do vídeo acontece num momento em que a própria cidade vem tratando o “Giro da Folia” como iniciativa de preservação e fortalecimento da cultura e da religiosidade popular, vinculada ao Museu e realizada com apoio institucional, incluindo a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e a Superintendência de Igualdade Racial.

Essa combinação — tradição popular, museu no território e registro audiovisual disponível ao público — é o tipo de coisa que muda o destino de uma manifestação cultural: deixa de ser apenas resistência individual e passa a ser também política de continuidade, reconhecimento e transmissão.

ComCausa: estar junto é também defender patrimônio vivo

Para a ComCausa – Defesa da Vida, acompanhar esse tipo de movimento é reafirmar que cultura popular é direito, é pertencimento, é rede de cuidado. Onde há tradição viva, há comunidade se organizando, há vínculos sendo refeitos, há memória funcionando como proteção — e isso é parte do que sustenta a dignidade cotidiana na Baixada Fluminense.

O II Giro contou tembám com apoio da Superintendência de Política de Igualdade Racial e Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São João de Meriti — um reconhecimento importante, porque cultura popular precisa ser tratada como política pública: patrimônio vivo, base de identidade, e parte de um projeto de cidade que honra sua história e suas comunidades.

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