O desaparecimento da idosa Nair Rotundário Braga, de 76 anos, ocorrido no dia 17 de julho de 2025, no município de Queimados, Baixada Fluminense, chega ao 17º dia sem respostas concretas das autoridades. A família segue mobilizada em busca de informações, mas enfrenta obstáculos que revelam a lentidão e a fragilidade do sistema de resposta a casos de desaparecimento no Brasil — inclusive quando envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade, como é o caso de Nair.
De acordo com a filha da idosa, Grace Rotundário Braga de Assis, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) informou que, até o momento, a Prefeitura de Queimados ainda não entregou as imagens das câmeras de segurança da rua onde Nair foi vista pela última vez. A ausência dessas imagens é apontada pela família como uma grave omissão, já que o acesso rápido a registros visuais pode ser decisivo nas primeiras horas e dias de uma investigação.
Nair foi registrada por câmeras de segurança em frente à sua residência no dia 17 de julho. No dia seguinte, ao visitar a mãe, Grace encontrou a casa trancada por fora, com luzes acesas, uma torneira aberta no banheiro e um tablet ainda carregando — indícios claros de que a saída foi abrupta ou forçada. O boletim de ocorrência foi registrado na 55ª DP de Queimados, sob o número 055-04120/2025, e a policial responsável pela apuração é Nata Oliveira da Silva.
A filha e o filho de Nair seguiram com diligência própria, visitando igrejas e locais que a mãe costumava frequentar. O pastor da igreja que Nair frequentava confirmou que ela não compareceu aos cultos na semana do desaparecimento. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que tem setor especializado em desaparecimentos, também foi acionada, mas os familiares relatam que pouco avanço foi feito até agora.
Segundo a família, Nair é de baixa estatura, branca, cabelos loiros e magra. Faz uso de medicamentos controlados, tem histórico de depressão, alcoolismo e uso eventual de medicamentos, mas, nos dias anteriores ao desaparecimento, não apresentava nenhum comportamento incomum.
A ComCausa Defesa da Vida, por meio da campanha Acolher: Desaparecidos, está acompanhando o caso, oferecendo suporte à família e buscando articulação institucional por respostas.
Violação de direitos humanos e omissão institucional
O desaparecimento de uma pessoa, especialmente em situação de vulnerabilidade, deve ser tratado como uma violação de direitos humanos. A não liberação de imagens públicas — como as das câmeras da prefeitura — agrava ainda mais essa violação. A morosidade no fornecimento de informações que podem ser vitais para a localização de Nair reforça um padrão de negligência que atinge principalmente mulheres, crianças, idosos e moradores de periferias.
A família segue contando com o apoio de amigos, vizinhos, instituições religiosas e organizações de direitos humanos. Mas a resposta que deveria partir do poder público — especialmente das esferas municipais e estaduais — permanece aquém do necessário. O caso de Nair Braga é mais um exemplo doloroso de como o Estado brasileiro ainda falha em proteger seus cidadãos, especialmente os mais vulneráveis.
A ComCausa reafirma seu compromisso de continuar mobilizando redes de solidariedade, pressionando por justiça e não permitindo que o desaparecimento de Nair caia no esquecimento.
A luta coletiva contra o silêncio
Foi justamente em meio a cenários como este que nasceu o projeto Acolher: Desaparecidos, uma iniciativa construída a partir da dor compartilhada entre familiares de pessoas desaparecidas e que conta com o apoio direto da ComCausa Defesa da Vida. O projeto surgiu como resposta ao descaso histórico com o desaparecimento de pessoas no Brasil, especialmente entre crianças, adolescentes, mulheres e idosos. A proposta é romper o ciclo de silêncio e invisibilidade que marca historicamente esses casos, transformando a dor em mobilização por justiça, memória e verdade. Em vez de silenciar, o projeto busca dar voz às famílias e garantir que ninguém enfrente esse tipo de sofrimento sozinho.
No caso de Nair, o Acolher tem atuado na divulgação do desaparecimento, na conexão com redes territoriais da Baixada Fluminense, no acompanhamento direto com a DHBF e na articulação de apoio público e institucional à família. A presença da ComCausa no caso reforça que o desaparecimento de uma pessoa é, acima de tudo, uma violação de direitos humanos, que exige resposta imediata e estruturada do Estado e da sociedade.
Resumo da Ocorrência – Registro Nº 055-04120/2025
• Delegacia: 55ª DP – Queimados
• Data de registro: 19/07/2025, às 11h33
• Investigadora responsável: Nata Oliveira da Silva
• Descrição da cena: Casa trancada por fora, torneira do banheiro aberta, luzes acesas, tablet carregando, sem sinais de arrombamento
• Data provável do desaparecimento: 17/07/2025
• Perfil da vítima: Mulher, 76 anos, branca, magra, baixa estatura, cabelos loiros, uso contínuo de medicação controlada
Contatos para informações
• Filha – Grace Braga: (21) 97753-8245
• Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF):
WhatsApp: (21) 98596-7220 / 98596-7146
• Instagram Oficial da DHBF: @dhbf_delegacia_homicidios
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