Encontro na DHBF discute desaparecimentos e acolhimento na Baixada

Delegacia de homicidios da Baixada Fluminense (DHBF)

Nesta segunda-feira (8), um grupo da sociedade civil participou de uma articulação técnica na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), com o objetivo de promover o diálogo entre instituições e avançar no enfrentamento dos casos de desaparecimento na região.

Durante a agenda institucional, os representantes foram recebidos por agentes dos setores de Perícia e do Departamento de Paradeiros, núcleo especializado na condução de investigações relacionadas a pessoas desaparecidas.

O encontro teve como finalidade contribuir para a definição de fluxos de atendimento às famílias, a qualificação da escuta em situações de desaparecimento e o fortalecimento da cooperação entre sociedade civil e órgãos de segurança pública.

No Brasil, o total de desaparecimentos chegou a 81.873 casos em 2024, com crescimento de 4,1%. A sobreposição de indicadores revela um cenário complexo e desafiador, em que a redução dos homicídios não corresponde à diminuição do sofrimento das famílias.

Compreensão técnica e escuta qualificada

Na interlocução, os participantes puderam aprofundar o entendimento sobre os procedimentos adotados pela equipe da DHBF no atendimento a casos de desaparecimento. A atuação integrada dos setores de Paradeiros e Perícia foi destacada como elemento fundamental para enfrentar o ciclo de invisibilidade que ainda recai sobre grande parte dessas ocorrências no país.

A atividade foi conduzida por integrantes da ComCausa Defesa da Vida, por meio do programa Acolher: Desaparecidos, que há quase duas décadas desenvolve, na Baixada Fluminense, projetos voltados ao fortalecimento comunitário, à preservação da memória e à promoção da justiça social.

“É preciso construir pontes permanentes entre Estado e sociedade. O enfrentamento aos desaparecimentos começa com escuta, acolhimento e responsabilidade compartilhada”, destacou Adriano Dias, fundador da ComCausa, ao final do encontro.

A articulação com a DHBF reforça o compromisso com o direito à verdade e à justiça, especialmente em territórios historicamente marcados por violações e invisibilidade institucional. Novas ações conjuntas estão previstas para os próximos meses, com o objetivo de ampliar o suporte às famílias e aprimorar os canais de denúncia, acompanhamento e resposta.

Dados que exigem respostas conjuntas

Em 2024, a Baixada Fluminense registrou 1.713 desaparecimentos, um aumento de 5,4% em relação a 2023. No mesmo período, foram contabilizados 814 homicídios dolosos, representando uma queda de 10%. Outro dado alarmante foi a identificação de 116 cemitérios clandestinos, número 26% maior que no ano anterior. Esse conjunto de indicadores reforça a gravidade do cenário e evidencia a necessidade urgente de respostas conjuntas e integradas entre sociedade civil e poder público.

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