Feminicídio atinge recorde em 2025 com média de quatro mulheres mortas por dia no Brasil

Não é não ComCausa Mulher

O Brasil encerrou o ano de 2025 com um dado alarmante: 1.470 mulheres foram assassinadas por violência de gênero, o maior número desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime no país. A média é de quatro mulheres mortas por dia, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com base nas estatísticas do Sistema Nacional de Segurança Pública (Sinesp).

O número representa um aumento de 0,41% em relação a 2024 e reforça uma tendência contínua de violência extrema contra mulheres dentro de casa, por parte de companheiros, ex-companheiros, pais, filhos ou outros familiares.

Dados ainda podem ser maiores

O levantamento é parcial. Os números de dezembro de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo ainda não foram atualizados no sistema oficial, o que pode fazer o total de casos subir nos próximos dias.

Apesar disso, os dados já apontam para o maior índice de feminicídios desde 2015, quando o crime foi oficialmente incluído no Código Penal brasileiro pela Lei nº 13.104/2015. Desde então, mais de 13 mil mulheres foram mortas por razões de gênero no país.

Estados com mais casos

Dos 26 estados e o Distrito Federal, 15 registraram aumento no número de feminicídios em 2025. Os quatro estados com maior número de mortes são:

  • São Paulo: 233 casos
  • Minas Gerais: 139 casos
  • Rio de Janeiro: 104 casos
  • Bahia: 103 casos

A média nacional na última década foi de 1.345 feminicídios por ano, totalizando 13.448 assassinatos de mulheres entre 2015 e 2025.

Punições mais severas com nova lei

A Lei nº 14.994/2024, sancionada no ano passado, aumentou a pena para feminicídio, que agora varia entre 20 e 40 anos de prisão — superior à pena do homicídio qualificado comum, que vai de 12 a 30 anos.

Segundo a advogada criminalista Giovanna Guerra, a nova legislação endureceu a resposta do Estado diante do avanço das mortes por motivação de gênero, buscando também “dar um sinal claro de que a vida das mulheres importa, e que o crime de feminicídio exige punição exemplar e imediata”.

A legislação continua a reconhecer o feminicídio quando há violência doméstica e familiar ou quando o crime decorre de discriminação e ódio ao gênero feminino (misoginia).

Por que isso importa

Organizações de defesa dos direitos das mulheres apontam que os números seguem altos apesar da legislação, indicando falhas na prevenção, proteção e atendimento às vítimas.

Casos de feminicídio geralmente são precedidos por agressões físicas e psicológicas, ameaças e histórico de violência que poderiam ter sido interrompidos com ações efetivas das autoridades.

Onde denunciar e buscar apoio

Se você ou alguém próximo está em situação de risco, denuncie e procure ajuda o quanto antes. Não espere a violência escalar.

Canais de denúncia e proteção:

  • Central 180 – Canal gratuito, 24h, para orientação e denúncia de violência contra a mulher.
  • Disque 100 – Canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos, inclusive violência de gênero.
  • Polícia Militar: 190 – Emergências.
  • Delegacias da Mulher (DEAMs) – Atendimento especializado e pedido de medidas protetivas.
  • Defensorias Públicas e Ministérios Públicos Estaduais – Acesso gratuito à Justiça.
  • Centros de Referência da Mulher (CREAMs) – Apoio psicológico, social e jurídico.

A luta é pela vida

A ComCausa reforça a importância de fortalecer redes de acolhimento, cobrar respostas rápidas e garantir que cada mulher ameaçada tenha acesso real à proteção. A Defesa da Vida exige não apenas leis mais duras, mas também estruturas que funcionem para impedir que os crimes aconteçam.

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