O ator, pesquisador, educador popular e curinga Geo Britto participa, neste domingo, 12 de julho, de uma conversa aberta sobre a trajetória de Augusto Boal e o processo histórico de formação do Teatro do Oprimido. A atividade será realizada às 15h30, na Sala Preta do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no bairro do Humaitá, no Rio de Janeiro.
Aberto ao público, com entrada franca e classificação livre, o encontro integra a programação do Ocupa Boal, iniciativa dedicada à preservação, à divulgação e à atualização da obra de Augusto Boal, um dos principais nomes do teatro brasileiro e latino-americano.
A ocupação cultural acontece entre os dias 26 de junho e 19 de julho de 2026 e reúne exposição, apresentações teatrais, oficinas, debates, conversas públicas e atividades formativas relacionadas à vida, ao pensamento e aos métodos desenvolvidos por Boal.
Uma conversa sobre as origens do Teatro do Oprimido
Durante o encontro, Geo Britto apresentará uma reflexão sobre as influências artísticas, políticas, históricas, teóricas e práticas que contribuíram para a criação e a sistematização do Teatro do Oprimido.
A proposta é investigar os caminhos percorridos por Augusto Boal desde sua atuação como diretor e dramaturgo do Teatro de Arena, um dos mais importantes espaços de renovação estética e política do teatro brasileiro, até a formulação de um método que passou a ser utilizado em diferentes países por artistas, educadores, movimentos sociais, organizações populares e defensores dos direitos humanos.
A conversa abordará as relações entre arte, política e transformação social, considerando acontecimentos que marcaram profundamente o século XX, como o período posterior à Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria, as crises relacionadas ao stalinismo, o fortalecimento do movimento negro, as lutas pelos direitos civis e os regimes ditatoriais que se espalharam pela América Latina.
Também estarão em debate o golpe militar de 1964 no Brasil, a perseguição a artistas e intelectuais, o exílio de Augusto Boal e sua posterior participação no processo de redemocratização do país.
Ao recuperar esse percurso, a atividade pretende apresentar uma espécie de arqueologia do Teatro do Oprimido, demonstrando que seus jogos, exercícios, técnicas e formas de participação coletiva foram construídos a partir de experiências concretas, conflitos sociais e debates sobre o papel do teatro diante das desigualdades e das formas de opressão.
Geo Britto e sua trajetória com Augusto Boal
Geo Britto é fundador e integrante da coordenação da Escola de Teatro Popular, além de possuir uma longa trajetória como curinga e pesquisador do Teatro do Oprimido. Ele foi formado diretamente por Augusto Boal e participou de diferentes experiências ligadas à aplicação, à investigação e à difusão do método.
O termo “curinga”, no Teatro do Oprimido, refere-se ao profissional que conduz processos teatrais, estimula o debate e estabelece a mediação entre a cena apresentada e o público, sem impor uma resposta pronta para os conflitos abordados.
Geo Britto também é autor do livro “Augusto Boal e a formação do Teatro do Oprimido”, publicado em 2024. A obra investiga as origens políticas e estéticas do método e as relações entre o período de Boal no Teatro de Arena e o desenvolvimento posterior das técnicas que alcançaram reconhecimento internacional.
A participação de Geo no Ocupa Boal representa, portanto, uma oportunidade para que o público conheça não apenas os principais conceitos do Teatro do Oprimido, mas também aspectos históricos, experiências e debates que acompanharam sua construção.
Teatro como instrumento de participação e transformação
Criado por Augusto Boal, o Teatro do Oprimido rompe com a ideia de que o público deve permanecer apenas como espectador passivo diante da apresentação teatral. Em suas diferentes técnicas, as pessoas são convidadas a participar, analisar conflitos, experimentar alternativas e construir coletivamente possibilidades de transformação da realidade.
A proposta entende o teatro como espaço de formação crítica, expressão, escuta e participação social. Ao longo das décadas, o método foi utilizado em comunidades, escolas, universidades, sindicatos, movimentos populares, espaços culturais, instituições públicas, organizações de direitos humanos e projetos de educação popular.
Augusto Boal foi dramaturgo, diretor, ensaísta e responsável por uma das contribuições brasileiras de maior repercussão no teatro mundial. Sua obra buscou aproximar a produção artística das questões enfrentadas pela sociedade, transformando o teatro em uma ferramenta para compreender conflitos e estimular a ação coletiva.
Ocupa Boal celebra a trajetória do dramaturgo
Idealizado pelo Instituto Augusto Boal, o Ocupa Boal promove um conjunto de atividades voltadas à memória e à atualidade da produção do dramaturgo.
Além da conversa com Geo Britto, a programação inclui a Exposição Augusto Boal, com visitação de quarta-feira a domingo, das 16h às 21h, e o espetáculo “Hamlet 16×8”, interpretado por Rogério Bandeira e dirigido por Marco Antônio Rodrigues.
A mostra também reúne oficinas relacionadas ao Teatro Jornal e aos procedimentos criados por Boal, além de debates com artistas, pesquisadores e pessoas que acompanharam sua trajetória.
O Instituto Augusto Boal foi criado em 2010 com o objetivo de preservar, organizar, digitalizar e divulgar o acervo do dramaturgo. A instituição conserva textos, correspondências, fotografias, recortes de jornais, registros de espetáculos, materiais de oficinas, gravações em áudio e vídeo e outros documentos relacionados à vida e à obra de Boal.
Ao reunir memória, formação e produção artística, o Ocupa Boal reafirma a permanência de um pensamento teatral comprometido com a democracia, a participação popular, os direitos humanos e a transformação social.
Serviço
Conversa com Geo Britto — Augusto Boal e a formação do Teatro do Oprimido
Data: domingo, 12 de julho de 2026
Horário: 15h30
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto — Sala Preta
Bairro: Humaitá, Rio de Janeiro
Entrada: franca
Classificação: livre
Atividade: aberta ao público
O Ocupa Boal permanece em cartaz até 19 de julho de 2026. A realização é do Visit Rio e do Instituto Augusto Boal, com apoio do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, da Prefeitura do Rio de Janeiro e da área municipal de Cultura.
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