Nesta data, 7 de maio, marca-se a memória do falecimento de uma das mais importantes figuras espirituais do século XX e início do século XXI: Grand Sheikh Nazim al-Haqqani, líder mundial da Ordem Naqshbandi Sufi. Sua partida em 2014, aos 92 anos, deixou um vazio para milhões de seguidores e admiradores que viam nele não apenas um guia religioso, mas um símbolo de paz, tolerância e união entre diferentes tradições espirituais.
Nascido em 1922 na ilha de Chipre, então parte do Império Britânico, GrandSheikh Nazim descendia, por parte de pai, do profeta Muhammad (mawlid), assim como do grande sabio persa Abdul Qadir Al-Jilani, fundador da ordem sufi Qadiri, e por parte de mãe do famoso santo sufi e poeta Jalaladim Muhammad Rumi, o poeta com livros mais vendidos dos EUA e fundador da ordem sufi Mevlevi. Com uma formação religiosa sólida desde a infância, estudou teologia e jurisprudência islâmica nas renomadas instituições de Istambul e Damasco, e foi iniciado na tradição Naqshbandi por Sheikh Abdullah Fa’izi ad-Daghestani, de quem se tornou sucessor, sendo o quadragesimo mestre de tal ordem histórica e secular.
Espiritualidade e ação global:
Com um carisma singular, GrandSheikh Nazim expandiu a presença da Ordem Naqshbandi-Haqqani pelo mundo, especialmente na Europa e nas Américas, chegando até mesmo aqui no Brasil aonde a ordem se faz presente em quase todos os estados. Falando inglês, turco, árabe e outras línguas, ele era capaz de dialogar com pessoas de diferentes origens e contextos. Seu ensinamento era centrado no amor, na lembrança de Deus (dhikr), na humildade e na luta constante contra o ego, aproximando muçulmanos e não muçulmanos com uma mensagem universal de espiritualidade e compaixão.
“A alma veio do Alto e deseja voltar. A Terra é uma escola, não um lar.” – Rumi
Ele desempenhou um papel vital na promoção do diálogo inter-religioso, tendo encontros marcantes com líderes cristãos, judeus e representantes de outras fés. Em tempos de crescente intolerância, Nazim insistia na importância da convivência e do respeito mútuo. Ele afirmava que o verdadeiro islã é uma religião de paz e que o sufi deve ser “como a água — suave, mas capaz de romper as maiores barreiras”.
“Somos servos. Somos criados para servir, não para dominar.” – Sheikh Nazim
Diálogo com o cristianismo e presença no Vaticano:
Entre seus gestos mais notáveis na promoção da convivência entre religiões, destaca-se a abertura ao diálogo com o cristianismo, particularmente com a Igreja Católica. GrandSheikh Nazim realizou visitas ao Vaticano, onde se reuniu com autoridades religiosas e participou de encontros inter-religiosos. Em uma ocasião marcante, foi recebido pelo Papa — um gesto de profundo simbolismo que reafirmou a importância da escuta mútua e da cooperação espiritual entre muçulmanos e cristãos.
Durante esses encontros, Sheikh Nazim sempre reiterava a crença de que todas as religiões reveladas compartilham raízes divinas comuns, e que a fé autêntica não separa, mas une. Seu compromisso com a paz e o respeito pelas diferenças o tornou uma das vozes mais respeitadas entre aqueles que trabalham pela reconciliação entre Oriente e Ocidente, islamismo e cristianismo, tradição e modernidade.
“A religião é um rio. Deus é o oceano. As fontes são muitas, mas a água é a mesma.” – Sheikh Nazim
Respeito de Muhammad Ali:
O lendário boxeador e ativista Muhammad Ali, conhecido por sua trajetória espiritual e engajamento em causas sociais, demonstrava profundo respeito por GrandSheikh Nazim. Ali valorizava a abordagem sufi de Nazim como uma expressão genuína de paz, compaixão e conexão com o divino. A admiração era mútua — Sheikh Nazim reconhecia em Ali um espírito corajoso que usava sua fama e força para promover valores espirituais e justiça.
“Quando você se conhece, você conhece o seu Senhor.” – Sheikh Nazim
Voz contra a violência e o materialismo:
GrandSheikh Nazim também se destacou por suas duras críticas à violência cometida em nome da religião e ao avanço desenfreado do materialismo no mundo moderno. Em suas viagens — que incluíram países da Europa, Ásia e América —, ele alertava contra os perigos da arrogância, do egoísmo e da destruição ambiental. Para ele, o retorno à simplicidade e à lembrança de Deus era o caminho para a salvação coletiva.
“Aquele que não se conhece é como um navio sem leme.” – Rumi
Seu famoso lema “Serviço a Deus é serviço à humanidade” sintetiza sua missão de vida. Ele incentivava a caridade, o cuidado com os pobres e o cultivo da paz interior como ferramentas de transformação social. No Chipre, onde viveu até seus últimos dias, seu lar se tornou um centro de peregrinação espiritual para milhares de buscadores, vindos dos quatro cantos do mundo.
Legado vivo
Mesmo após sua morte em 2014, sua influência continua viva. Inúmeros centros sufi ligados à sua linhagem mantêm atividades espirituais e sociais em diversos países. Seus discursos, livros e vídeos continuam sendo difundidos, e sua presença ainda é sentida por muitos que encontraram consolo e direção em suas palavras.
“O dhikr (lembrança de Deus) é a chave que abre os corações. Use-a sempre.” – Sheikh Nazim
Neste 7 de maio, lembrar GrandSheikh Nazim é também um chamado à consciência. Num mundo em constante conflito, sua vida nos lembra que é possível trilhar o caminho da espiritualidade com firmeza e suavidade, honrando todas as tradições e respeitando todas as almas.
“Venha, venha, quem quer que seja. Mesmo que você tenha quebrado seus votos mil vezes.” – Rumi
“O coração é o trono de Deus. Purifique-o para que Ele possa sentar-se ali.” – Sheikh Nazim
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