A Justiça do Rio de Janeiro determinou a prisão imediata de três policiais militares condenados pela chacina no Morro da Coroa, no bairro do Catumbi, em 2009. Leonardo José de Jesus Nunes, Jubson Alencar Cruz Souza e Vagner Barbosa Santana deverão cumprir 90 anos de prisão em regime fechado, além da perda definitiva dos cargos públicos.
Os três foram condenados em 2023 por envolvimento direto na execução de seis pessoas durante uma operação do 1º BPM (Estácio). Embora tenham recorrido da sentença, o desembargador Gilmar Teixeira, da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, determinou no final de junho de 2025 a execução imediata da pena, rejeitando os argumentos das defesas.
Segundo o Ministério Público, os PMs agiram com violência desnecessária e executaram as vítimas com tiros pelas costas e na cabeça, sem qualquer indício de confronto. A perícia também revelou que os corpos foram amontoados na traseira de uma viatura e levados sob o pretexto de socorro médico, enquanto os agentes desfaziam a cena do crime.
As vítimas e a versão contestada
A operação resultou na morte de seis homens, entre eles Josenildo Estanislau dos Santos, trabalhador lanterneiro de 42 anos. Moradores relataram que os policiais estavam encapuzados, impediram a circulação nos becos e atiraram indiscriminadamente. Laudos periciais confirmaram a ausência de tiroteio e a execução à queima-roupa.
Na época, o caso foi registrado como “auto de resistência”, prática comum em ações policiais letais. No entanto, a investigação e os laudos apontaram que nenhuma das vítimas tinha ligação com facções criminosas.
Defesas tentam reverter prisão
A defesa de Leonardo Nunes entrou com embargos de declaração, alegando que houve cerceamento de defesa e que não é possível identificar qual PM fez os disparos fatais. Já os advogados de Jubson Alencar deixaram o caso após a decisão do TJ, e Vagner Barbosa não apresentou recurso até o momento. A Polícia Militar foi procurada pela imprensa, mas não se pronunciou.
Condenação histórica após 16 anos de impunidade
A sentença de 2023 e a recente ordem de prisão encerram um ciclo de 16 anos de luta por justiça, marcado por protestos da comunidade, mobilização de familiares e atuação de entidades como a Justiça Global e a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência.
A chacina do Morro da Coroa se tornou símbolo da letalidade policial no Rio de Janeiro e é citada em ações como a ADPF 635, no STF, que questiona o padrão de uso da força em comunidades.
Para movimentos sociais e familiares das vítimas, a prisão dos PMs representa um passo histórico, embora tardio, na responsabilização por execuções cometidas pelo Estado. O caso segue sendo exemplo emblemático das falhas sistêmicas na apuração de crimes policiais e da resistência de quem luta por memória e reparação.
Relembre o caso
Em 2 de abril de 2009, seis homens foram mortos por policiais militares durante uma operação no Morro da Coroa, no bairro do Catumbi, região central do Rio de Janeiro. A ação do 1º BPM (Estácio), registrada oficialmente como confronto armado, foi rapidamente contestada por moradores e, anos depois, confirmada pela perícia como uma chacina com características de execução sumária.
Leia também
| Projeto Comunicando ComCausa
| Portal C3 | Instagram C3 Oficial
______________________
Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com

______________________
Compartilhe:
