Na próxima terça-feira, dia 13 de maio de 2025, às 18h, será realizado no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, no bairro do Flamengo, o lançamento oficial da Agenda de Enfrentamento à Violência Armada no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa, articulada por uma ampla frente composta por universidades públicas, movimentos sociais, coletivos de favelas, sindicatos, organizações da sociedade civil e institutos de pesquisa, surge como resposta à intensificação dos confrontos armados nas regiões periféricas e ao agravamento da insegurança cotidiana vivida por milhares de moradores do estado.
Com o apoio institucional do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro — programa que reúne diversas instituições públicas e iniciativas populares voltadas à promoção da saúde e da vida em territórios vulnerabilizados —, o evento pretende não apenas apresentar o conteúdo programático da Agenda, mas também abrir um espaço de escuta e construção coletiva de alternativas para o enfrentamento da violência.
A Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz é uma das entidades da comissão organizadora e destaca que o documento que será lançado é fruto de amplas articulações intersetoriais e participativas, consolidando propostas construídas com base em experiências de resistência, dados científicos, monitoramento de violações de direitos e demandas apresentadas por moradores de favelas e periferias ao longo dos últimos anos.
Uma resposta coletiva à crise da segurança pública
A Agenda de Enfrentamento à Violência Armada se estrutura em três grandes eixos orientadores:
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Valorização e preservação da vida: com foco em políticas que assegurem a integridade física e emocional da população, especialmente de jovens negros e periféricos, alvos principais da letalidade armada no estado;
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Garantia de direitos: reafirmando a centralidade dos direitos humanos, civis e sociais como condição para a paz sustentável;
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Mitigação da ambiência de insegurança e medo: através de estratégias que promovam a reconstrução do vínculo comunitário, da confiança nos serviços públicos e da ocupação democrática dos territórios.
Segundo os organizadores, a proposta da Agenda não é substituir políticas públicas já existentes, mas sim incidir sobre elas, qualificá-las, articular diferentes setores e integrar experiências populares e institucionais em torno da construção de soluções duradouras e efetivas para o enfrentamento da violência armada.
Dados alarmantes e urgência da mobilização
Estudos recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP) e de universidades federais apontam que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro concentra alguns dos maiores índices de confrontos armados do país, com impactos diretos na saúde mental, na evasão escolar, no funcionamento de serviços públicos e na violação sistemática de direitos básicos.
Somente em 2024, segundo o Monitor da Violência Armada em Favelas, foram registradas mais de 5 mil ocorrências com uso de armas de fogo, com destaque para operações policiais letais, tiroteios entre grupos armados e desaparecimentos forçados. Essas situações não apenas colocam em risco a vida da população, mas comprometem a circulação, o acesso a direitos e a dignidade dos moradores.
Nesse cenário, o lançamento da Agenda representa um gesto simbólico e político de resistência e articulação coletiva, reunindo representantes da academia, de territórios populares e de instituições públicas em torno de uma pauta comum: a defesa da vida e a construção de alternativas concretas à militarização e à política de confronto.
Fortalecimento das redes territoriais
Outro objetivo central do evento é iniciar um processo contínuo de mobilização nos territórios, que se desdobrará em fóruns regionais, seminários comunitários e rodas de diálogo ao longo do segundo semestre de 2025. A ideia é que cada território possa adaptar os princípios da Agenda às suas realidades específicas, fortalecendo redes locais de proteção à vida e ampliando o acesso a políticas públicas integradas.
Além disso, a comissão organizadora pretende dialogar com gestores públicos, parlamentares, conselhos e organismos internacionais, no intuito de transformar a Agenda em referência para a formulação de políticas estaduais e municipais baseadas em direitos, evidências e participação popular.
O enfrentamento à violência começa com o compromisso coletivo pela vida, pelo respeito e pelos direitos. Participe.
SERVIÇO
Evento: Lançamento da Agenda de Enfrentamento à Violência Armada
Data: Terça-feira, 13 de maio de 2025
Horário: 18h
Local: Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ – Avenida Rui Barbosa, 762, Flamengo, Rio de Janeiro
Realização: Comissão organizadora composta por universidades, coletivos, sindicatos, Fiocruz e entidades sociais
Apoio: Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
Imagem de capa ilustrativa.
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