Dorothy Mae Stang, mais conhecida como Irmã Dorothy, foi uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira que fez parte da Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, uma congregação religiosa fundada em 1804 por Santa Julie Billiart e Françoise Blin de Bourdon. Esta congregação católica internacional reúne mais de duas mil mulheres dedicadas ao trabalho pastoral em diversos continentes. Irmã Dorothy se destacou por sua incansável luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e pela preservação ambiental, especialmente na região da Transamazônica, no Pará, onde desenvolveu projetos de reflorestamento e busca por uma reforma agrária justa.
Irmã Dorothy Stang foi brutalmente assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005, aos 73 anos, com seis tiros, sendo um na cabeça e cinco ao redor do corpo. O crime aconteceu em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará. A missionária, antes de ser assassinada, demonstrou coragem e fé ao responder, quando indagada se estava armada, mostrando a Bíblia e afirmando: “Eis a minha arma!” Ela ainda leu versículos das bem-aventuranças para o homem que logo em seguida a balearia. Seu trabalho pastoral e missionário buscava promover o desenvolvimento sustentável, gerar emprego e renda para os trabalhadores rurais e minimizar os conflitos agrários na região. Seu nome se associa ao de outros defensores dos direitos humanos que morreram em luta por justiça social.
O corpo de Irmã Dorothy está enterrado em Anapu, onde continua a receber homenagens por sua coragem e dedicação à causa dos mais vulneráveis. Ela foi um ícone na luta pelos direitos dos trabalhadores do campo, atuando ativamente na Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Sua atuação incansável nos movimentos sociais do Pará a levou a ser premiada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA) em 2004, e, em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD “Amazônia Revelada”.
O fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, foi condenado como mandante do assassinato, mas o caso passou por vários julgamentos e a luta por justiça continuou a ser um símbolo da luta pela defesa dos direitos humanos na Amazônia.


