Mobilização em Japeri cobra obras contra enchentes e proteção ao Espaço Código

Grupo Código - 20 anos

Moradores, artistas, educadores, agentes culturais e apoiadores da cultura na Baixada Fluminense lançaram uma mobilização pública para cobrar providências urgentes diante de alagamentos recorrentes na rua onde funciona o Espaço Código, na cidade de Japeri (RJ). Segundo o texto, em períodos de chuva a via vira um “corredor de enchentes”, fica intransitável e afeta tanto a rotina de quem mora no entorno quanto a continuidade de oficinas, encontros e atividades culturais realizadas no local.

A mobilização está publicada em forma de petição no Change.org e pede uma vistoria técnica imediata, obras estruturais de drenagem e melhorias de infraestrutura urbana, além de um compromisso efetivo com segurança, dignidade e direito à cultura no território.

Rua intransitável, casas atingidas e risco à saúde

De acordo com a petição, os alagamentos se repetem em diferentes episódios de chuva e impedem a circulação segura de pedestres e moradores, incluindo crianças, idosos e trabalhadores. O texto relata que a água não atinge apenas a área do espaço cultural: invade casas vizinhas, provoca prejuízos materiais e aumenta o risco de adoecimento, além de criar um ambiente de insegurança e desgaste permanente para quem vive e circula na região.

Os signatários descrevem o problema como antigo, conhecido e “reiteradamente negligenciado pelo poder público”, com repetição ano após ano.

O que acontece com o Espaço Código

No caso do Espaço Código, a mobilização lista impactos diretos dos alagamentos e do contexto de obras no entorno. Entre os danos citados no texto estão:

  • alagamento frequente do espaço cultural;
  • danos estruturais, incluindo fissura em parede, “possivelmente relacionada às obras realizadas no entorno”;
  • perdas e danos em figurinos, cenários e materiais artísticos, com menção ao espetáculo “Cabeça de Porco – Retratos de um Território”;
  • suspensão ou adiamento de oficinas, atividades culturais e ações formativas;
  • riscos à integridade física de trabalhadores da cultura, participantes das atividades e moradores da região.

Esses pontos são apresentados como relatos e reivindicações do grupo na petição. No material enviado, não há laudos técnicos anexados nem informações oficiais que confirmem, por exemplo, a origem da fissura na parede ou um cronograma público de intervenção na rua.

Por que isso importa: cultura também depende de infraestrutura

A petição coloca o tema em duas camadas que se cruzam.

A primeira é urbana: drenagem insuficiente e manutenção precária significam interrupção de rotina, insegurança para deslocamentos e prejuízos para famílias e comércios.

A segunda é cultural: quando a água entra, não são apenas paredes e pisos que se perdem. Figurinos, cenários, equipamentos e materiais de formação são parte do patrimônio de um trabalho comunitário. A paralisação de oficinas e ações formativas interrompe processos educativos e redes de convivência que, muitas vezes, funcionam como proteção social e fortalecimento de identidade no território.

Racismo ambiental: quando o risco se repete no mesmo lugar

O texto também enquadra o cenário como expressão de racismo ambiental, conceito usado por movimentos sociais e pesquisadores para descrever situações em que comunidades periféricas, com maior presença de população negra e trabalhadora, são mais expostas a riscos (como enchentes, deslizamentos e falta de saneamento) por ausência histórica de infraestrutura e políticas públicas consistentes.

Na prática, o grupo argumenta que não se trata de um “acidente pontual” de chuva, mas de um problema previsível, recorrente e evitável com planejamento e obras adequadas, que recai sempre sobre os mesmos territórios.

O que a mobilização exige da Prefeitura de Japeri

A petição direciona as cobranças ao poder público municipal e pede três medidas principais:

  1. realização imediata de vistoria técnica;
  2. implementação de obras estruturais de drenagem e infraestrutura urbana adequadas;
  3. compromisso efetivo com segurança, dignidade e direito à cultura para moradores e para quem constrói e utiliza o Espaço Código.

A palavra “imediata” aparece como sinal de urgência, indicando que a demanda não é apenas por planejamento futuro, mas por resposta rápida a um problema que já afeta o cotidiano e o funcionamento do equipamento cultural.

Responsabilidades públicas: o que a lei prevê em linhas gerais

Sem entrar em detalhes técnicos do caso (que dependem de laudos e projetos), a situação relatada toca em deveres públicos comuns em políticas urbanas e de proteção social. Em termos gerais:

  • A Constituição garante o direito à cultura e impõe ao Estado o dever de apoiar e promover o acesso (art. 215).
  • Também estabelece o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e a obrigação do poder público de protegê-lo, o que inclui prevenção de danos e riscos coletivos (art. 225).
  • O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) orienta políticas urbanas voltadas ao bem-estar e à função social da cidade, o que envolve infraestrutura e planejamento.
  • A Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei 12.608/2012) trata de prevenção e redução de desastres, incluindo medidas para lidar com riscos recorrentes.
  • O marco do saneamento (Lei 11.445/2007, atualizada pela Lei 14.026/2020) organiza diretrizes para serviços como drenagem e manejo de águas pluviais urbanas, tema diretamente ligado a alagamentos.

Essas referências ajudam a entender por que uma rua que alaga repetidamente costuma ser vista como falha de gestão e infraestrutura, não como inevitabilidade climática. Ainda assim, para atribuir responsabilidades específicas (por exemplo, se uma obra agravou a situação), é necessário relatório técnico e transparência sobre intervenções no local.

O que falta esclarecer e o que pode ser cobrado com transparência

A própria petição levanta pontos que merecem apuração e resposta pública, como:

  • Qual é a causa técnica do alagamento: drenagem insuficiente, bocas de lobo obstruídas, cota da via, descarte irregular de lixo, rede subdimensionada, ausência de manutenção, ou combinação de fatores?
  • Há projetos, medições e histórico de intervenções no trecho?
  • Existe plano de drenagem ou cronograma de manutenção periódica na rua e no entorno?
  • A fissura mencionada no Espaço Código será vistoriada por equipe técnica com laudo?
  • Que medidas emergenciais podem ser adotadas enquanto não há obra estrutural?

A cobrança por prazos, responsáveis e publicização de laudos é parte central para que o problema não se repita “ano após ano”, como o texto denuncia.

Vozes do território

Até aqui, as informações disponíveis no material enviado são as do próprio manifesto/petição, assinado por moradores e agentes culturais. O texto fala em “profunda preocupação e indignação” e afirma que a situação compromete “o direito à cultura, à segurança e à dignidade”.

Se houver nota oficial da Prefeitura de Japeri, da Defesa Civil municipal ou de secretarias responsáveis por obras e manutenção urbana, ela ainda não consta no conteúdo compartilhado nesta conversa.

Assine a petição online: “Pelo direito à cultura, à segurança e à dignidade no território de Japeri”