Matéria na TV destaca Desaparecimento da idosa Nair Braga na Baixada

Nair Rotundário Braga desaparece em Queimados

O desaparecimento de Nair Rotundário Braga, de 76 anos, moradora do município de Queimados, na Baixada Fluminense, foi destaque da reportagem exibida nesta quinta-feira (18/09) pela Record Rio. O caso, que completa dois meses sem respostas, trouxe à tona uma dor comum a milhares de famílias brasileiras: a ausência repentina, o silêncio e a incerteza que consomem diariamente os parentes de pessoas desaparecidas.

Nair foi vista pela última vez no dia 17 de julho de 2025, por câmeras de segurança que a registraram caminhando nas imediações de sua residência. No dia seguinte, a filha, Grace Rotundário Braga de Assis, informou que estranhou não ter notícias da mãe e decidiu visitá-la. Ao chegar ao imóvel, deparou-se com uma cena que até hoje não sai de sua cabeça.

“A casa estava toda fechada, trancada por fora, a luz acesa, a torneira do banheiro aberta e o tablet ainda carregando na tomada. Aquilo não era normal. Na hora eu pensei: ‘Minha mãe saiu de repente, ou então alguém fez ela sair assim’. Foi desesperador, porque não fazia sentido nenhum.”

O caso foi registrado no dia 19 de julho, às 11h33, na 55ª Delegacia de Polícia de Queimados, sob o número de protocolo 055-04120/2025. Também houve encaminhamento para a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que possui um núcleo especializado em desaparecimentos. A investigação está sob responsabilidade da policial Nata Oliveira da Silva.

Rotina tranquila, mas suspeitas de golpe virtual

A família conta que Nair tinha uma vida simples e rotineira: morava sozinha, frequentava a igreja, participava de cultos e ensaios, e sempre comunicava os horários em que estaria fora de casa. Era baixa, magra, branca, de cabelos loiros e fazia uso contínuo de medicamentos controlados. Apesar de histórico de alcoolismo e problemas psiquiátricos, não apresentava crises recentes.

A filha Grace se emociona ao falar sobre os últimos dias com a mãe:
“Minha mãe era minha companheira. Ela morava em cima, eu embaixo. Todo dia a gente se via, todo dia. No meu aniversário, em junho, ela estava comigo. Até hoje eu só consigo pensar: ‘Mãe, cadê você?’. O que eu quero é minha mãe de volta, só isso.”

Nos dias anteriores ao desaparecimento, Grace descobriu que Nair vinha mantendo conversas pela internet com homens desconhecidos. Em uma delas, um indivíduo chegou a ameaçar a idosa, exigindo R$ 1.000 para não divulgar fotos pessoais. Outro contato, registrado no tablet apreendido, mostrava um homem reclamando de não receber ajuda financeira dela.

“Na última quinta-feira, antes dela sumir, ela comentou comigo que estava falando com um homem na internet. Disse que ele era bonzinho, que mandava até versículos da Bíblia. Foi a última vez que eu ouvi minha mãe falar dele. Poucas horas depois, ela sumiu. Até hoje, nada.”

A luta da família e o apelo público

Desde então, Grace e o irmão têm percorrido hospitais, igrejas, ruas e comunidades em busca de pistas. O pastor da igreja onde Nair congregava confirmou que ela não apareceu em nenhum culto naquela semana, aumentando ainda mais o mistério.

“Minha mãe nunca deixou de ir para a igreja sem avisar. Nunca. Eu estou desesperada, porque já são dois meses sem notícias. A cada dia que passa, a dor aumenta. Não existe explicação, não existe consolo.”

A filha também desabafou diante das câmeras:

“Eu não consigo dormir direito. Tudo que eu faço, eu penso na minha mãe. Eu só quero que as pessoas ajudem, que quem souber de qualquer coisa fale com a polícia. Porque eu preciso da minha mãe de volta.”

Mobilização social e apoio da ComCausa

O caso de Nair tem recebido apoio da sociedade civil. A ComCausa – Defesa da Vida acompanha de perto por meio do projeto Acolher: Desaparecidos, que nasceu justamente da luta de famílias que enfrentam essa mesma dor. O objetivo é romper o silêncio que cerca os desaparecimentos no Brasil, dando voz aos familiares e cobrando respostas das autoridades.

Segundo a entidade, cada desaparecimento é uma violação de direitos humanos e não pode ser tratado como um caso isolado, mas como um problema estrutural. No caso de Nair, a ComCausa tem atuado na divulgação, articulação com redes locais da Baixada e acompanhamento junto à DHBF.

Resumo da Ocorrência – Registro Nº 055-04120/2025
• Delegacia: 55ª DP – Queimados
• Data de registro: 19/07/2025, às 11h33
• Investigadora responsável: Nata Oliveira da Silva
• Descrição da cena: Casa trancada por fora, torneira do banheiro aberta, luzes acesas, tablet carregando, sem sinais de arrombamento
• Data provável do desaparecimento: 17/07/2025
• Perfil da vítima: Mulher, 76 anos, branca, magra, baixa estatura, cabelos loiros, uso contínuo de medicação controlada

Contatos para informações
• Filha – Grace Braga: (21) 97753-8245
• Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF):
WhatsApp: (21) 98596-7220 / 98596-7146
• Instagram Oficial da DHBF: @dhbf_delegacia_homicidios

A luta coletiva contra o silêncio

Foi justamente em meio a cenários como este que nasceu o projeto Acolher: Desaparecidos, uma iniciativa construída a partir da dor compartilhada entre familiares de pessoas desaparecidas e que conta com o apoio direto da ComCausa Defesa da Vida. O projeto surgiu como resposta ao descaso histórico com o desaparecimento de pessoas no Brasil, especialmente entre crianças, adolescentes, mulheres e idosos.

A proposta é romper o ciclo de silêncio e invisibilidade que marca historicamente esses casos, transformando a dor em mobilização por justiça, memória e verdade. Em vez de silenciar, o projeto busca dar voz às famílias e garantir que ninguém enfrente esse tipo de sofrimento sozinho.

No caso de Nair, o Acolher tem atuado na divulgação do desaparecimento, na conexão com redes territoriais da Baixada Fluminense, no acompanhamento direto com a DHBF e na articulação de apoio público e institucional à família. A presença da ComCausa no caso reforça que o desaparecimento de uma pessoa é, acima de tudo, uma violação de direitos humanos, que exige resposta imediata e estruturada do Estado e da sociedade.

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