Programação no dia 5 de agosto reunirá gestores públicos, lideranças religiosas, organizações sociais e comunidades tradicionais da Baixada Fluminense
A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros de Oliveira, cumprirá agenda institucional em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, no dia 5 de agosto de 2026. A programação reunirá gestores municipais de promoção da igualdade racial, representantes do poder público, lideranças sociais e religiosas, organizações da sociedade civil e integrantes de povos e comunidades tradicionais.
Rachel Barros assumiu o Ministério da Igualdade Racial em 31 de março de 2026, sucedendo Anielle Franco. Sua trajetória inclui atuação em direitos humanos, políticas públicas, participação social e formação de jovens moradores de favelas, com experiências em territórios como Manguinhos, Complexo do Alemão e Vila Aliança.
A visita a São João de Meriti deverá ampliar o diálogo entre o Governo Federal, os municípios da Baixada Fluminense e as organizações que atuam diretamente nos territórios. Entre os principais temas estarão o fortalecimento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o enfrentamento ao racismo e ao racismo religioso, a defesa da liberdade de crença e de culto, a valorização das culturas afro-brasileiras, o afroturismo e a participação social na construção das políticas públicas.
Baixada Fluminense é estratégica para as políticas de igualdade racial
A Baixada Fluminense possui grande importância social, cultural, política e econômica para o estado do Rio de Janeiro. A região é marcada pela expressiva presença da população negra, de povos de terreiro, comunidades tradicionais de matrizes africanas, escolas de samba, coletivos juvenis, movimentos sociais, organizações culturais e entidades de defesa dos direitos humanos.
De acordo com informação divulgada pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, aproximadamente 69% da população da Baixada Fluminense se autodeclara preta ou parda. O dado reforça a importância da região para a formulação de políticas de promoção da igualdade racial, preservação da memória afro-brasileira, combate ao racismo e valorização das contribuições históricas e culturais da população negra.
Ao mesmo tempo, os municípios da região enfrentam desigualdades históricas relacionadas ao racismo estrutural, à violência, ao saneamento, à mobilidade urbana, ao trabalho, à renda e ao acesso aos serviços públicos. Essas dificuldades atingem com maior intensidade a população negra, as juventudes, as mulheres, as comunidades tradicionais e as famílias em situação de vulnerabilidade.
A presença da ministra poderá contribuir para dar visibilidade às demandas regionais, conhecer iniciativas desenvolvidas nos territórios e fortalecer uma agenda articulada entre o Governo Federal, as administrações municipais e a sociedade civil.
Ministra visitará a Casa de Cláudia – A Morada da Fé
Às 13h, a comitiva seguirá para a Casa de Cláudia – A Morada da Fé, localizada na Rua Maria Emília, nº 136, no Centro de São João de Meriti. A Casa é um tradicional terreiro de Umbanda que tem a fé, a humildade, a caridade e o acolhimento como fundamentos de sua atuação religiosa e social.
A história da instituição está relacionada à trajetória do médium Luiz de Mattos e do Caboclo Pena Azul. Sua formação começou a partir de trabalhos espirituais realizados na Baixada Fluminense, até a instalação definitiva da sede em São João de Meriti, na década de 1970. O nome da Casa é uma homenagem à Irmã Cláudia, entidade espiritual associada à história do espaço. Conhecida também como “A Morada da Fé”, a instituição desenvolveu ao longo de sua trajetória atividades religiosas, assistenciais e comunitárias, tornando-se uma referência da Umbanda no município.
Além das atividades religiosas, a Casa de Cláudia promove o acolhimento, a caridade, o respeito à diversidade e o enfrentamento ao preconceito. A instituição também integra o Movimento Umbanda do Amanhã, iniciativa dedicada ao combate à intolerância religiosa, à defesa do meio ambiente e à valorização da Umbanda como religião comprometida com a solidariedade e a dignidade humana. A visita contará com a participação de Mãe Marilena Matos e de outras lideranças ligadas ao espaço. O encontro deverá promover um diálogo sobre liberdade de crença e de culto, preservação da memória religiosa, atuação comunitária e enfrentamento ao racismo religioso.
A atividade também deverá destacar a contribuição histórica dos terreiros para o acolhimento social, a preservação dos conhecimentos tradicionais, a solidariedade, a organização comunitária e a defesa dos direitos humanos.
Racismo religioso permanece como desafio na região
O enfrentamento ao racismo religioso será um dos temas centrais da programação. Povos de terreiro e comunidades tradicionais de matrizes africanas ainda enfrentam perseguições, ameaças, constrangimentos públicos, destruição de símbolos e espaços sagrados, impedimento de práticas religiosas, discursos de demonização e tentativas de silenciamento de suas tradições. A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro ressalta que o reconhecimento jurídico do racismo religioso é fundamental para identificar corretamente violações que combinam discriminação racial e restrição à liberdade de culto. Essas agressões não podem ser tratadas somente como divergências entre crenças, pois frequentemente são dirigidas contra tradições, identidades, memórias e conhecimentos de origem africana.
Em caso acompanhado pela Defensoria em Nova Iguaçu, foram relatadas perseguições, intimidações e ofensas recorrentes contra praticantes de religião de matriz africana. A instituição obteve medidas judiciais de proteção às vítimas, demonstrando a necessidade de respostas articuladas entre o sistema de justiça, os órgãos públicos e a sociedade civil. A Defensoria também mantém o Núcleo de Combate ao Racismo e à Discriminação Étnico-Racial, o NUCORA, responsável pela defesa individual e coletiva de pessoas cujos direitos tenham sido violados em razão de origem, cor, identidade étnico-racial, nacionalidade ou orientação religiosa. O núcleo também atua no acompanhamento e na fiscalização de políticas públicas destinadas à redução das desigualdades raciais.
O enfrentamento ao racismo religioso exige ações permanentes de prevenção, formação, acolhimento, proteção e responsabilização. Também depende da participação direta das comunidades atingidas, das lideranças religiosas, das juventudes e das organizações que atuam nos territórios.
Centro Cultural Meritiense receberá encontro regional
Após a visita à Casa de Cláudia, a programação seguirá para o Centro Cultural Meritiense, equipamento vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São João de Meriti. O espaço está localizado na Rua Panamense, sem número, no bairro Jardim Meriti, próximo à Praça da Prefeitura. O encontro deverá reunir gestores e gestoras de promoção da igualdade racial dos municípios da Baixada Fluminense, representantes do poder público, instituições parceiras, lideranças sociais, organizações da sociedade civil e comunidades religiosas.
A atividade será destinada à apresentação de experiências municipais, projetos em desenvolvimento, desafios institucionais e propostas de cooperação entre o Governo Federal e os municípios. Também poderá contribuir para o fortalecimento dos organismos municipais de igualdade racial e para a construção de uma agenda regional compartilhada.
Oficina fortalecerá o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial
Durante o encontro, será realizada a Oficina SINAPIR em Movimento, voltada ao fortalecimento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial. O sistema organiza e articula a implementação de políticas e serviços destinados à superação das desigualdades raciais no país, reunindo União, estados, Distrito Federal, municípios e sociedade civil.
A primeira adesão ao SINAPIR ocorreu em 2014, e o sistema passou a contar com participantes de todas as regiões do Brasil. A adesão permite integrar os municípios às políticas nacionais de igualdade racial, ampliar a cooperação institucional e fortalecer as estruturas locais responsáveis pela execução dessas políticas.
A oficina deverá orientar gestores municipais sobre os procedimentos de adesão, as responsabilidades dos entes participantes, a organização dos organismos locais de promoção da igualdade racial e as possibilidades de cooperação com o Ministério da Igualdade Racial.
A diretora de Articulação Interfederativa da Secretaria de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Isadora Bispo dos Santos, foi convidada para integrar a programação. Sua participação deverá contribuir para a condução da oficina e para o diálogo sobre a ampliação da presença do SINAPIR nos municípios da Baixada Fluminense. O Ministério da Igualdade Racial confirma que Isadora Bispo ocupa atualmente a Diretoria de Articulação Interfederativa da SENAPIR.
Programa Rotas Negras poderá fortalecer o afroturismo na Baixada
A programação também contará com um diálogo sobre o Programa Rotas Negras e as possibilidades de desenvolvimento do afroturismo na Baixada Fluminense. Instituído pelo Decreto nº 12.277, de 29 de novembro de 2024, o programa tem como objetivos impulsionar o afroturismo, promover o desenvolvimento sustentável das comunidades negras e valorizar a cultura afro-brasileira nos cenários nacional e internacional.
As rotas podem incluir comunidades de terreiro, territórios quilombolas, quadras de escolas de samba, museus, centros culturais e lugares ligados à história e à memória da população negra. A iniciativa busca dar visibilidade ao patrimônio histórico, cultural e artístico das comunidades negras e reconhecer sua contribuição para a formação da sociedade brasileira.
Na Baixada Fluminense, o programa poderá contribuir para o reconhecimento dos terreiros, espaços religiosos, personalidades negras, manifestações culturais, patrimônios materiais e imateriais e iniciativas comunitárias existentes nos municípios. Além da preservação da memória, o afroturismo poderá gerar oportunidades de trabalho e renda para guias, artesãos, produtores culturais, empreendedores, cozinheiras, artistas e comunidades tradicionais.
A participação da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro no encontro deverá fortalecer a articulação interinstitucional. A instituição já promove reuniões com gestores municipais da Baixada para consolidar calendários e ações regionais de promoção da igualdade racial.
Participação social fortalece as políticas públicas
A agenda da ministra poderá ampliar a interlocução entre os municípios da Baixada Fluminense e contribuir para a construção de políticas públicas articuladas regionalmente. Entre os assuntos que poderão ser debatidos estão o enfrentamento ao racismo institucional, a proteção dos povos de terreiro, a formação de gestores públicos, o fortalecimento dos conselhos e organismos municipais e a participação da sociedade civil.
Lideranças religiosas, juventudes, movimentos sociais, coletivos culturais, organizações comunitárias e povos tradicionais possuem conhecimento direto sobre os problemas enfrentados nos territórios. Sua participação é fundamental para identificar demandas, acompanhar a execução das políticas públicas e construir soluções adequadas às diferentes realidades locais.
A visita também poderá estimular a formação de redes regionais de proteção, ampliar a circulação de informações e promover ações conjuntas de prevenção e enfrentamento ao racismo, à discriminação e às violações de direitos.
ComCausa apresentará projeto voltado às juventudes no encerramento da agenda
Durante o encontro no Centro Cultural Meritiense, a ComCausa – Defesa da Vida apresentará, ao final da programação, o projeto “Juventudes pela Liberdade Religiosa: Igualdade Racial, Participação Social e Enfrentamento ao Racismo Religioso”. A iniciativa foi aprovada pela Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República, e pretende mobilizar jovens para a promoção da igualdade racial, da liberdade de crença e de culto, dos direitos humanos e da participação social.
O projeto prevê ações de formação, mobilização comunitária, comunicação, produção de conhecimento e articulação com instituições públicas, povos de terreiro, comunidades religiosas e organizações sociais.
A proposta busca fortalecer o protagonismo juvenil na prevenção e no enfrentamento à intolerância, à discriminação e ao racismo religioso. Também pretende contribuir para que os jovens reconheçam situações de violência, conheçam seus direitos e participem da construção de estratégias de proteção e transformação social.
Durante a apresentação, serão expostos os objetivos, a metodologia, o público prioritário, as atividades previstas e as possibilidades de articulação com o Ministério da Igualdade Racial, os gestores municipais e as redes locais de defesa de direitos.
CAIS ComCausa atuará na retaguarda de casos de violações
A ComCausa também apresentará a atuação do CAIS ComCausa – Autonomia e Inclusão, executado em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos. O CAIS ComCausa poderá atuar na retaguarda das ações, oferecendo acolhimento, escuta, orientação e encaminhamento em situações de violação de direitos identificadas durante as atividades ou apresentadas pelas comunidades participantes.
Essa atuação poderá alcançar casos de racismo religioso, intolerância, discriminação, violência, vulnerabilidade social, rompimento de vínculos familiares e comunitários e dificuldades de acesso aos serviços públicos. Quando necessário, os casos poderão ser encaminhados para serviços das áreas de assistência social, saúde, direitos humanos, igualdade racial, proteção às mulheres, juventude, segurança pública e justiça. Também poderão ser realizadas articulações com a Defensoria Pública, o Ministério Público, conselhos de direitos e outras instituições integrantes da rede de garantia de direitos.
A integração entre o projeto “Juventudes pela Liberdade Religiosa” e o CAIS ComCausa permitirá unir ações de formação e prevenção a uma estrutura de acolhimento e orientação. A atuação não substituirá os órgãos públicos responsáveis, mas buscará facilitar o acesso das pessoas aos serviços, mecanismos de proteção e políticas públicas existentes.
Confira a programação
13h – Casa de Cláudia – A Morada da Fé
Rua Maria Emília, nº 136, Centro, São João de Meriti.
14h – Centro Cultural Meritiense
Rua Panamense, s/nº, Jardim Meriti, São João de Meriti.
16h – Museu João Cândido
A programação poderá sofrer alterações.
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