Vitor Hugo de Oliveira Simonin, de 18 anos, prestou depoimento na 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), na Zona Sul do Rio de Janeiro, sobre sua suposta participação no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos. Durante a ida à delegacia, o jovem chamou atenção por vestir uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (“Não se arrependa de nada”), expressão frequentemente associada a comunidades misóginas que atuam em ambientes digitais.
O caso ocorreu em um apartamento em Copacabana que pertence à família do investigado. A vítima reconheceu formalmente Vitor Hugo por meio de imagens de câmeras de monitoramento. Ele é apontado como um dos participantes diretos da violência.
Discurso associado à misoginia online
A frase estampada na camiseta do investigado é frequentemente utilizada em comunidades virtuais conhecidas por disseminar discursos de ódio contra mulheres. Entre esses grupos estão os chamados “red pills”, expressão inspirada no filme Matrix (1999) e usada para designar uma suposta “descoberta da realidade” sobre relações entre homens e mulheres.
Especialistas apontam que esses ambientes online costumam promover narrativas que culpabilizam mulheres, incentivam comportamentos agressivos e relativizam a violência de gênero.
O termo também aparece associado ao influenciador Andrew Tate, que ganhou notoriedade nas redes sociais com conteúdos voltados a masculinidade extrema. Tate responde a processos judiciais em outros países por acusações de estupro, tráfico humano e exploração sexual, segundo reportagens internacionais.
Acusação e reconhecimento da vítima
De acordo com as investigações, o estupro coletivo teria ocorrido dentro do apartamento ligado à família do jovem. A vítima reconheceu os suspeitos a partir de imagens de monitoramento.
Vitor Hugo era estudante do Colégio Pedro II, instituição federal de ensino tradicional no Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a escola já iniciou procedimentos administrativos para seu desligamento.
Outros acusados e investigação em andamento
Quatro jovens se tornaram réus por estupro de vulnerável e cárcere privado no caso. Um adolescente de 17 anos também foi identificado como participante da ação e se apresentou à 54ª Delegacia de Polícia (Belford Roxo), na Baixada Fluminense.
Por ser menor de idade, o procedimento foi separado do inquérito principal e encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A polícia solicitou a apreensão do adolescente por ato infracional análogo ao crime investigado, e o órgão se manifestou favoravelmente à internação após o surgimento de novas denúncias envolvendo o mesmo jovem.
A Polícia Civil também apura relatos de pelo menos duas outras possíveis vítimas que apontam um modus operandi semelhante ao utilizado pelo grupo.
Posição das defesas
A defesa de Vitor Hugo afirmou à imprensa que o jovem nega participação no estupro, embora confirme que estava no apartamento no momento em que o crime teria ocorrido. O advogado declarou ainda que o cliente não foi ouvido durante a fase inicial da investigação.
O defensor informou também que tomou conhecimento recentemente de outra denúncia envolvendo o jovem, mas afirmou ainda não ter acesso ao conteúdo do material.
Já o advogado de João Gabriel, outro investigado, disse em nota que seu cliente nega as acusações e confia na apuração dos fatos pela Justiça. A defesa de Mattheus não comentou o caso, e o investigado permaneceu em silêncio durante depoimento antes de ser encaminhado ao sistema penitenciário.
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